Documentos para regularização de imóvel
A lista completa.
Um roteiro de seis verificações separa o imóvel seguro do imóvel que vai dar trabalho.
Um imóvel está regular quando a matrícula descreve o bem como ele é, aponta como proprietário quem de fato é o dono, e não registra gravame ou restrição que impeça a operação pretendida. Verificar isso é um roteiro de seis passos, sempre na mesma ordem.
Resumo
| Passo | O que verificar | Documento | Sinal de alerta |
|---|---|---|---|
| 1 | Quem é o titular registral | Matrícula atualizada | Nome diferente do vendedor |
| 2 | Quais gravames existem | Certidão de ônus reais | Hipoteca, penhora, indisponibilidade |
| 3 | Se a descrição bate com a realidade | Matrícula e vistoria | Área ou confrontações divergentes |
| 4 | Se a construção está averbada | Matrícula | Descrição só de terreno |
| 5 | Se há débitos sobre o bem | Certidão negativa de tributos | Dívida tributária acumulada |
| 6 | Se há ação envolvendo o imóvel | Certidões judiciais | Ação real ou execução em curso |
A maior parte dos problemas de uma compra estava visível na documentação antes da assinatura. Pular a leitura da matrícula por confiança na negociação é o erro mais comum e o mais caro de corrigir depois.
No imóvel rural, essa conferência inclui o cadastro no INCRA e a certificação da área, e o roteiro completo está em regularização de imóvel rural, com o contexto patrimonial em imóvel rural.
A leitura da matrícula que sustenta essa verificação está em o que verificar numa matrícula.
Os erros que mais comprometem a verificação de um imóvel são de leitura, e não de acesso: o documento está disponível, mas é lido pela metade.
O caminho depende do tipo de pendência. As situações mais comuns e suas soluções estão em regularização de imóvel rural.
A verificação de regularidade de um imóvel custa o preço de certidões e do tempo de leitura, e é a parte mais barata de qualquer compra, sobretudo diante do valor que ela protege.
As certidões de matrícula e de ônus seguem a tabela de emolumentos do estado; as certidões judiciais e fiscais são obtidas nos sistemas dos tribunais e dos fiscos, em regra sem custo relevante; a vistoria custa o deslocamento. Em imóvel rural somam-se o CCIR e a consulta ao cadastro ambiental, também de custo baixo. O que custa é o que se descobre depois: construção não averbada que inviabiliza financiamento, área divergente que exige levantamento técnico, débito tributário que acompanha o bem, inventário não feito que bloqueia a transmissão. Nenhum desses itens aparece na conversa de negociação, e todos aparecem na matrícula e nas certidões. A proporção entre o custo da verificação e o custo da surpresa é o melhor argumento a favor dela.
Cada documento da verificação vem de um órgão diferente, e saber qual é cada um evita pedir no lugar errado: matrícula e ônus no registro de imóveis, tributos na prefeitura ou na Receita Federal, ações nos tribunais.
| Documento | Órgão que emite | O que ele responde |
|---|---|---|
| Matrícula de inteiro teor | Cartório de registro de imóveis da situação | Quem é o titular e qual a história do bem |
| Certidão de ônus reais | O mesmo cartório | Que gravames estão vigentes hoje |
| Certidão negativa de IPTU | Prefeitura do município | Se há débito municipal sobre o imóvel |
| Certidão de ITR e situação cadastral | Receita Federal | Se o imóvel rural está em dia e cadastrado |
| CCIR | INCRA | Se o cadastro do imóvel rural está regular |
| Cadastro ambiental rural | Órgão ambiental do estado | Reserva legal e áreas protegidas |
| Certidões cíveis e trabalhistas do vendedor | Tribunais estadual, federal e do trabalho | Ações que podem afetar o negócio |
Nenhum desses órgãos conversa com o outro automaticamente, e é por isso que a inconsistência entre eles é tão comum. A verificação existe para encontrar essa inconsistência antes do contrato, e não para confirmar o que o anúncio diz.
A diferença entre a certidão de ônus reais e a matrícula de inteiro teor está no recorte: a primeira resume os gravames vigentes, e a segunda reproduz todos os atos do imóvel desde a abertura.
Para saber se um imóvel está regular, as duas respondem perguntas distintas. A certidão de ônus diz o que atrapalha hoje: hipoteca, penhora, alienação fiduciária, indisponibilidade. A matrícula de inteiro teor diz de onde o imóvel veio e o que já aconteceu com ele, com a cadeia de proprietários, os gravames cancelados e as averbações de construção, retificação e desmembramento. Quem lê só a certidão de ônus não vê elo faltante na cadeia nem construção ausente da descrição, que são exatamente os defeitos que travam financiamento e inventário. Em compra relevante pede-se o inteiro teor, e pede-se recente: gravame registrado na semana passada não aparece em documento de dois meses atrás.
Na verificação de imóvel rural em Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso, três conferências se somam às do imóvel urbano: o CCIR no INCRA, o cadastro ambiental no órgão do estado e a declaração do imposto territorial.
O cadastro ambiental é estadual, e por isso sistema, fila e exigências diferem entre os dois estados, o que importa quando a mesma família tem área nos dois. A certificação do georreferenciamento é do INCRA, protocolada na superintendência do estado em que a fazenda está situada. A conferência que mais revela problema é a comparação de área: matrícula, CCIR e declaração do imposto territorial precisam dizer o mesmo número, e divergência entre eles é o sinal de que a transmissão vai travar. Em propriedade cortada pela divisa entre municípios, a leitura se faz matrícula por matrícula, em cada cartório competente, porque não existe certidão única da fazenda inteira.
Este conteúdo integra a área de Imóvel rural.
Conteúdo informativo. Cada caso é avaliado individualmente, a partir dos documentos e das garantias envolvidas, e nada aqui substitui a análise do caso concreto nem representa promessa de resultado.
Não há prazo universal, mas a prática do mercado é usar certidão recente, porque um gravame registrado ontem não aparece em documento antigo.
É prática recomendada em compras relevantes, porque ações contra o vendedor podem afetar o negócio, conforme o caso.
Não. O financiamento com alienação fiduciária é um gravame regular, registrado na matrícula. Ele apenas precisa ser tratado no negócio.
A verificação documental é análise jurídica. O corretor intermedia a negociação, mas a leitura registral é outra função.
O CCIR emitido pelo INCRA, com área compatível, o CAR com reserva legal e áreas protegidas em ordem, e a certificação do georreferenciamento, exigida para alterações na matrícula. São três verificações que o imóvel urbano não tem.
Titular registral, gravames, descrição contra a realidade, averbação da construção, débitos sobre o bem e ações envolvendo o imóvel, nessa ordem. Cada etapa só faz sentido depois da anterior.
Divergência entre a área anunciada e a área registrada é um dos sinais de alerta mais claros, porque o que se adquire é o que está descrito na matrícula. A divergência pode significar área menor, construção não averbada ou confrontação diferente, e precisa ser esclarecida antes do negócio.
OAB/MS 20.674, sócio nominal e administrador judicial certificado pela TMA Brasil.
Publicado em · Revisado em · 7 min de leituraA lista completa.
O que cada documento informa.
O efeito da pendência no negócio.
Descreva a situação e a equipe da CFH faz a primeira leitura do cenário, do passivo e das garantias envolvidas.