CFH Advogados, Carneiro, Fernandes & Hammarstrom

Advogado ambiental rural

O advogado ambiental rural trabalha onde a regra do Código Florestal encontra a operação da fazenda: cadastro, reserva legal, auto de infração e a liberação do crédito que depende deles.

A regularidade ambiental do imóvel rural se apoia no Código Florestal: Cadastro Ambiental Rural obrigatório, reserva legal no percentual do bioma, áreas de preservação permanente protegidas e, para passivos anteriores a 22 de julho de 2008, o Programa de Regularização Ambiental. Irregularidade gera multa, embargo e travamento do crédito.

Resumo

  • A Lei 12.651/2012 instituiu o Cadastro Ambiental Rural como registro público eletrônico obrigatório para todos os imóveis rurais, com a finalidade de integrar as informações ambientais das propriedades.
  • A defesa administrativa é o momento decisivo: é nela que entram o laudo técnico, o histórico de uso da área, as imagens de satélite datadas e a demonstração de que a supressão é anterior à lei ou está amparada por autorização.
  • CAR inscrito, ativo e atualizado a cada mudança de área ou de uso.
  • No ambiental rural o prazo mais caro é o da defesa administrativa, porque é o único momento em que a prova técnica entra sem custo de perícia judicial.

O que a lei exige

A Lei 12.651/2012 instituiu o Cadastro Ambiental Rural como registro público eletrônico obrigatório para todos os imóveis rurais, com a finalidade de integrar as informações ambientais das propriedades. Ela fixa a reserva legal em percentual da área do imóvel conforme o bioma e a localização, e protege as áreas de preservação permanente, como faixas marginais de cursos d'água, nascentes, encostas e topos de morro. Para quem tinha passivo em 22 de julho de 2008, a lei criou o caminho da regularização por adesão ao Programa de Regularização Ambiental, com termo de compromisso que suspende as sanções enquanto cumprido. Em Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso, a inscrição e a análise correm nos sistemas estaduais integrados ao federal.

Por que isso trava o crédito

A art. 225 da Constituição Federal condiciona a concessão de crédito agrícola à comprovação da regularidade ambiental do imóvel, e a norma do crédito rural exige a inscrição no CAR. Na prática: sem CAR ativo e sem situação regular, o banco não libera custeio nem investimento. É também o que o perito verifica na constatação prévia dos pedidos de recuperação judicial de produtor rural, descrita em perícia prévia do produtor rural, e o que o comprador confere antes de fechar negócio com a fazenda. A ligação entre cadastro, matrícula e crédito está em regularização de imóvel rural e em crédito rural.

Multa, embargo e defesa no ambiental rural

Multa, embargo e defesa no ambiental rural
AtoO que significaO que se faz
Auto de infraçãoAcusação de infração administrativa, com multaDefesa administrativa no prazo, com prova técnica
Embargo de áreaProibição de usar a área autuadaPedido de desembargo, com comprovação de regularização
Termo de apreensãoRetenção de produto, maquinário ou animaisDefesa e pedido de liberação
Suspensão de atividadeParalisação determinada pelo órgãoImpugnação e demonstração de conformidade
Inscrição no cadastro de autuadosRestrição para crédito e licençasRegularização e baixa
Termo de compromisso no PRAAcordo de recomposiçãoCumprimento suspende sanções

A defesa administrativa é o momento decisivo: é nela que entram o laudo técnico, o histórico de uso da área, as imagens de satélite datadas e a demonstração de que a supressão é anterior à lei ou está amparada por autorização. Perdido esse prazo, a discussão sobe para a esfera judicial em condições piores.

A rotina que evita o problema

CAR inscrito, ativo e atualizado a cada mudança de área ou de uso. Reserva legal localizada, aprovada e averbada, ou compensada na forma da lei. APP identificada no mapa do imóvel e respeitada no planejamento da lavoura. Autorização prévia para qualquer supressão de vegetação. Guarda de imagens e laudos que documentem o uso ao longo do tempo. E conferência do CAR contra a matrícula e contra a declaração do ITR, porque divergência entre os três é o que gera autuação, como se detalha em tributação do produtor rural. Quando a área é arrendada, o contrato precisa dizer quem responde pelo passivo, ponto tratado em contratos agrários.

Os prazos do ambiental rural: defesa, recurso e prescrição

No ambiental rural o prazo mais caro é o da defesa administrativa, porque é o único momento em que a prova técnica entra sem custo de perícia judicial. No processo federal, o Decreto 6.514/2008 dá ao autuado vinte dias, contados da ciência da autuação, para oferecer defesa, e prevê prazo próprio para o recurso da decisão. Nos processos estaduais, que são a maioria no imóvel rural, o prazo é o da legislação de cada estado e vem indicado no próprio auto de infração: conferir essa indicação no dia da ciência vale mais do que qualquer tese posterior.

Dois prazos de direito material completam o quadro, e correm em sentidos opostos. A pretensão punitiva da administração federal prescreve em cinco anos, pela Lei 9.873/1999, contados da prática do ato ou, na infração permanente, do dia em que ela cessar. A obrigação de reparar o dano não prescreve: o Supremo Tribunal Federal fixou no Tema 999 que é imprescritível a pretensão de reparação civil de dano ambiental. A multa prescreve; a obrigação de recompor a área, não. No Programa de Regularização Ambiental, os prazos que importam são os do cronograma do termo de compromisso, cujo cumprimento suspende as sanções.

Defender o auto, aderir ao PRA ou converter a multa: a comparação

Recebido um auto de infração, o produtor tem caminhos distintos no ambiental rural, e eles não são excludentes. O que decide a escolha é a origem do passivo e a existência de prova documental do uso anterior da área.

Defender o auto, aderir ao PRA ou converter a multa: a comparação
CaminhoQuando costuma caberO que resolve, e o que não resolve
Defesa administrativa do autoHá prova de que o fato não ocorreu, de que a supressão é anterior à lei ou de que havia autorizaçãoPode afastar a multa; não regulariza passivo existente
Adesão ao Programa de Regularização AmbientalO passivo já existia em 22 de julho de 2008 e é realSuspende as sanções enquanto o termo é cumprido; obriga a recompor no cronograma
Conversão da multa em serviço de recuperaçãoA infração é incontroversa e há área a recuperarTroca desembolso por obra ambiental, pelo Decreto 6.514/2008; não discute a autuação
Compensação da reserva legalFalta área de reserva e não se quer recompor dentro do próprio imóvelAdmite cota de reserva ambiental, servidão ambiental ou área equivalente no mesmo bioma, pelo artigo 66 do Código Florestal
Discussão judicialA via administrativa se esgotou ou o embargo trava a safraDevolve a análise técnica ao juízo; custa perícia e tempo

A diferença prática está no que cada caminho faz com o passivo: a defesa discute a punição, o Programa de Regularização Ambiental e a compensação resolvem a irregularidade, e a conversão da multa troca dinheiro por recuperação. Quem apenas se defende e não regulariza volta a ser autuado pelo mesmo fato.

O ambiental rural em Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso

No ambiental rural o percentual de reserva legal é o primeiro dado a conferir, e ele muda de um estado para o outro. Em Mato Grosso do Sul a reserva legal é de 20 por cento da área do imóvel. Em Mato Grosso, que está na Amazônia Legal, o artigo 12 do Código Florestal exige 80 por cento no imóvel situado em área de floresta, 35 por cento no de cerrado e 20 por cento no de campos gerais, de modo que duas fazendas do mesmo tamanho, no mesmo estado, podem ter obrigações muito diferentes.

O endereço do processo também é local: o cadastro, a análise e a autuação correm no órgão ambiental estadual, o IMASUL em Mato Grosso do Sul e a SEMA em Mato Grosso, com os sistemas estaduais integrados ao federal. Vêm daí duas consequências práticas: o prazo de defesa é o da legislação estadual, indicado no auto, e o desembargo da área depende de comprovação apresentada a esse órgão, não ao federal. Há ainda um efeito que surpreende quem divide a fazenda: pelo parágrafo 1º do artigo 12, no fracionamento a qualquer título considera-se, para o cálculo da reserva legal, a área do imóvel antes do fracionamento.

Como a CFH atua em ambiental rural

A atuação começa pela leitura cruzada de três documentos que raramente conversam entre si: a matrícula, o Cadastro Ambiental Rural e a declaração do ITR. É da divergência entre eles que nasce a maior parte das autuações, e é ela que precisa ser resolvida antes de qualquer defesa. Feita essa leitura, o escritório separa o que é passivo anterior a 22 de julho de 2008, que tem caminho próprio de regularização, do que é infração atual, que exige defesa.

Havendo auto de infração ou embargo, o trabalho é de prazo: defesa administrativa instruída com laudo técnico, histórico de uso da área e imagens datadas, dentro do prazo do órgão, porque perdê-lo empurra a discussão para o Judiciário em condição pior. Em paralelo, corre a frente que costuma ser a urgência real do produtor: destravar o crédito, o que depende de regularizar o cadastro e de comprovar a situação da área ao banco.

Erros comuns

  • Deixar o CAR desatualizado depois de comprar, vender ou desmembrar área
  • Perder o prazo da defesa administrativa do auto de infração
  • Suprimir vegetação sem autorização, contando com regularizar depois
  • Declarar no ITR área de reserva que o CAR não confirma
  • Arrendar sem definir quem responde pelo passivo ambiental

Conteúdo informativo. Cada caso é avaliado individualmente, a partir dos contratos, da documentação da atividade e da situação de cada safra, e nada aqui substitui a análise do caso concreto nem representa promessa de resultado.

Perguntas frequentes

O CAR é obrigatório?

Sim. O Código Florestal instituiu o Cadastro Ambiental Rural como registro obrigatório para todos os imóveis rurais, e ele condiciona o acesso ao crédito agrícola.

O que acontece quando a área é embargada?

A área autuada não pode ser usada até o desembargo, o que interrompe a produção naquele talhão e trava crédito e licenças.

Tenho passivo ambiental antigo. Há caminho?

Para passivos existentes em 22 de julho de 2008, o Código Florestal prevê a adesão ao Programa de Regularização Ambiental, com termo de compromisso que suspende as sanções enquanto cumprido.

Quem responde pelo passivo da área arrendada?

A responsabilidade pelo passivo da área arrendada depende do contrato e da conduta de cada parte. A obrigação de recompor acompanha o imóvel, o que torna a cláusula contratual essencial.

O que é o Cadastro Ambiental Rural?

O Cadastro Ambiental Rural é o registro público eletrônico obrigatório para todos os imóveis rurais, instituído pelo Código Florestal com a finalidade de integrar as informações ambientais das propriedades. Em Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso, a inscrição e a análise correm nos sistemas estaduais integrados ao federal.

Qual o prazo para apresentar defesa do auto de infração ambiental?

No processo federal, o Decreto 6.514/2008 dá ao autuado vinte dias, contados da ciência da autuação, para oferecer defesa. Nos processos estaduais, que são a maioria no imóvel rural, o prazo é o da legislação de cada estado e vem indicado no próprio auto de infração, e conferir essa indicação no dia da ciência vale mais do que qualquer tese posterior.

A multa ambiental prescreve?

A pretensão punitiva da administração federal prescreve em cinco anos, pela Lei 9.873/1999, contados da prática do ato ou, na infração permanente, do dia em que ela cessar. A obrigação de reparar o dano não prescreve: o Supremo Tribunal Federal fixou no Tema 999 que é imprescritível a pretensão de reparação civil de dano ambiental.

Defender o auto de infração ou aderir ao Programa de Regularização Ambiental?

A defesa administrativa discute a punição e pode afastar a multa quando há prova de que o fato não ocorreu, de que a supressão é anterior à lei ou de que havia autorização. O Programa de Regularização Ambiental resolve a irregularidade de passivo já existente em 22 de julho de 2008, com termo de compromisso que suspende as sanções enquanto cumprido. Quem apenas se defende e não regulariza volta a ser autuado pelo mesmo fato.

Qual o percentual de reserva legal exigido em Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso?

Em Mato Grosso do Sul a reserva legal é de 20 por cento da área do imóvel. Em Mato Grosso, que está na Amazônia Legal, o artigo 12 do Código Florestal exige 80 por cento no imóvel situado em área de floresta, 35 por cento no de cerrado e 20 por cento no de campos gerais, de modo que duas fazendas do mesmo tamanho podem ter obrigações muito diferentes.

Como se pede o desembargo da área autuada?

O desembargo depende de comprovação da regularização apresentada ao órgão ambiental estadual que autuou, o IMASUL em Mato Grosso do Sul e a SEMA em Mato Grosso, e não ao federal. A defesa administrativa corre em paralelo, instruída com laudo técnico, histórico de uso da área e imagens de satélite datadas.

Retrato de Edgar A. G. Fernandes

Responsável pelo conteúdo

Edgar A. G. Fernandes

OAB/MS 19.237, advogado e administrador judicial credenciado pela TMA Brasil.

Publicado em · Revisado em · 10 min de leitura
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