Imóvel em garantia
Hipoteca e alienação fiduciária.
Penhorada a fazenda, a disputa deixa de ser sobre o valor da dívida e passa a ser sobre o que o credor pode efetivamente levar.
Penhora é a constrição judicial de um bem para garantir a satisfação de uma dívida cobrada em processo. Sobre imóvel, ela é averbada na matrícula, o que a torna oponível a terceiros. Identificar a penhora, verificar sua regularidade e conhecer o que a lei protege são passos com prazos curtos.
Resumo
No campo, a penhora encontra uma barreira que não existe no imóvel urbano: a pequena propriedade rural trabalhada pela família é impenhorável por dívida da atividade produtiva, pelo artigo 5º, XXVI, da Constituição. Medir a área em módulos fiscais do município e provar o trabalho familiar costuma valer mais do que discutir o valor da avaliação.
Pela matrícula atualizada e pela certidão de ônus reais, onde a penhora é averbada. Certidões de distribuição judicial em nome do proprietário ajudam a identificar execuções em curso que ainda não chegaram ao registro.
| Aspecto | Hipoteca | Penhora |
|---|---|---|
| Origem | Contrato entre as partes | Decisão em processo judicial |
| Momento | Antes do inadimplemento | Depois, na cobrança |
| Finalidade | Garantir a operação de crédito | Garantir a execução em curso |
| Registro | Registro na matrícula | Averbação na matrícula |
A Lei 8.009/90 torna impenhorável o imóvel residencial próprio do casal ou da entidade familiar, com exceções previstas na própria lei, entre elas a hipoteca oferecida sobre o bem. A aplicação depende dos fatos concretos e da natureza da dívida cobrada.
A pequena propriedade rural trabalhada pela família tem proteção constitucional contra penhora por dívida decorrente da atividade produtiva, nos termos do art. 5º, inciso XXVI, da Constituição. O enquadramento como pequena propriedade e a comprovação do trabalho familiar são pontos de análise.
Designado o leilão, a discussão muda de objeto. O que acontece a partir daí está em leilão de imóveis.
A penhora de imóvel rural não é um ato isolado: ela pressupõe título executivo, execução em curso, devedor citado e dívida não paga no prazo. Além disso, o imóvel não é o primeiro bem da fila. O artigo 835 do Código de Processo Civil estabelece uma ordem de preferência em que dinheiro, aplicações financeiras, títulos e veículos vêm antes dos bens imóveis, e o juiz pode alterar essa ordem conforme as circunstâncias do caso concreto. Penhora de fazenda com dinheiro disponível na conta é ponto discutível.
Três formalidades decidem a eficácia do ato. A averbação na matrícula, que pelo artigo 844 do Código de Processo Civil é o que gera presunção absoluta de conhecimento por terceiros, e sem a qual a penhora não se opõe a quem compra de boa-fé. A intimação do cônjuge do executado, exigida pelo artigo 842 quando o bem penhorado é imóvel, salvo no regime de separação absoluta. E a avaliação, que define a base dos lances e precisa refletir o valor real da área, com as benfeitorias, a aptidão agrícola e as restrições ambientais. Falha em qualquer uma delas é matéria de impugnação, ao lado da impenhorabilidade e do excesso de penhora.
A penhora de imóvel rural envolve três atores, e o devedor precisa saber a quem se dirige. Decide o juízo da execução, que é a vara cível da comarca definida pelo foro eleito no título ou pelo domicílio do executado, ou a vara de execuções fiscais quando o credor é a Fazenda Pública, podendo correr na Justiça Federal conforme o credor. Executa o ato o oficial de justiça, que lavra o auto ou termo e avalia o bem. E averba o Registro de Imóveis da circunscrição em que o imóvel está, que pode ser cartório de outra comarca, diferente daquela em que o processo corre.
Duas situações mudam o endereço da discussão. Quando o executado está em recuperação judicial, os atos de constrição sobre bem essencial à atividade passam pelo crivo do juízo da recuperação, e não do juízo da execução. E quando mais de uma penhora recai sobre o mesmo imóvel, cada credor conserva o seu título de preferência, na forma do parágrafo único do artigo 797 do Código de Processo Civil, de modo que a ordem das averbações na matrícula decide quem recebe primeiro o produto da alienação.
Na penhora de imóvel rural em Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso, a defesa mais eficaz costuma ser uma conta, não uma tese. A pequena propriedade rural trabalhada pela família não é objeto de penhora por dívida decorrente da sua atividade produtiva, pelo artigo 5º, inciso XXVI, da Constituição, e o enquadramento se mede em módulos fiscais, pela Lei 8.629/1993. Como o módulo varia por município, o mesmo tamanho de área recebe tratamento oposto em cidades vizinhas: 200 hectares cabem em quatro módulos fiscais em Corumbá, onde o módulo é de 110 hectares, e estão muito acima disso em Campo Grande, onde o módulo é de 15 hectares, conforme a tabela de índices básicos do Sistema Nacional de Cadastro Rural, do INCRA. Em Mato Grosso o módulo vai de 30 a 100 hectares.
Medida a área, resta provar o trabalho familiar, e é aqui que a defesa se ganha ou se perde: notas fiscais de insumo e de venda em nome da família, declaração do imposto territorial rural, inscrição no Cadastro Ambiental Rural, ausência de folha de empregados compatível com exploração empresarial e prova de residência na área. Em paralelo, confere-se a averbação na matrícula, que se faz na circunscrição do imóvel e pode estar em comarca distinta da do processo. O escritório atende os dois estados de Dourados.
Verificação registral e processual da constrição, análise de impenhorabilidade e de excesso de penhora, adoção das medidas cabíveis e, quando o cenário indicar, avaliação conjunta com reestruturação de passivos ou recuperação judicial.
Cada caso é avaliado individualmente, a partir dos documentos e das garantias envolvidas. Este conteúdo é informativo e não substitui a análise do caso concreto, nem representa promessa de resultado.
Pela matrícula atualizada e pela certidão de ônus reais. A penhora é averbada na matrícula, e é essa averbação que a torna oponível a terceiros. Certidões de distribuição judicial ajudam a identificar execuções em curso contra o proprietário.
A hipoteca é garantia constituída por vontade das partes, antes do inadimplemento. A penhora é constrição determinada em processo judicial já em curso, para satisfazer uma dívida cobrada. Uma nasce do contrato, a outra do processo.
A venda não é automaticamente nula, mas a penhora averbada acompanha o bem e pode caracterizar fraude à execução, conforme a situação. Na prática, o comprador assume o risco de perder o imóvel para a execução.
A Lei 8.009/90 protege o bem de família da penhora, com exceções previstas na própria lei, entre elas a hipoteca dada pelo casal ou entidade familiar sobre o imóvel. A aplicação depende dos fatos e da natureza da dívida.
Verificar o prazo, a regularidade da constrição, o valor cobrado e a existência de bem impenhorável ou de excesso de penhora. Há medidas processuais próprias, com prazos curtos, o que torna a análise imediata relevante.
A penhora pressupõe título executivo, execução em curso, devedor citado e dívida não paga no prazo. Além disso, o imóvel não é o primeiro bem da fila: o artigo 835 do Código de Processo Civil estabelece ordem de preferência em que dinheiro, aplicações financeiras, títulos e veículos vêm antes dos bens imóveis, e o juiz pode alterá-la conforme o caso concreto.
Três formalidades decidem a eficácia: a averbação na matrícula, que pelo artigo 844 do Código de Processo Civil gera presunção absoluta de conhecimento por terceiros; a intimação do cônjuge do executado, exigida pelo artigo 842 quando o bem penhorado é imóvel, salvo no regime de separação absoluta; e a avaliação, que define a base dos lances. Falha em qualquer uma é matéria de impugnação.
Perde-se a matéria de defesa que dependia de manifestação tempestiva, a avaliação do bem se consolida em valor inferior ao de mercado e o leilão pode ser designado sem que a impenhorabilidade tenha sido arguida. Designado o leilão, a discussão muda de objeto.
Decide o juízo da execução, que é a vara cível da comarca definida pelo foro eleito no título ou pelo domicílio do executado, ou a vara de execuções fiscais quando o credor é a Fazenda Pública. Executa o ato o oficial de justiça, que lavra o auto ou termo e avalia o bem. E averba o Registro de Imóveis da circunscrição em que o imóvel está, que pode ser cartório de outra comarca.
Primeiro se mede a área em módulos fiscais, porque o módulo varia por município: 200 hectares cabem em quatro módulos fiscais em Corumbá, onde o módulo é de 110 hectares, e estão muito acima disso em Campo Grande, onde o módulo é de 15 hectares, pela tabela de índices básicos do INCRA. Medida a área, resta provar o trabalho familiar com notas fiscais de insumo e de venda em nome da família, declaração do imposto territorial rural, inscrição no Cadastro Ambiental Rural e prova de residência na área.
OAB/MS 20.674, sócio nominal e administrador judicial certificado pela TMA Brasil.
Publicado em · Revisado em · 9 min de leituraHipoteca e alienação fiduciária.
Matrícula, ônus e situação registral.
Quando a execução é uma entre várias.
Descreva a situação e a equipe da CFH faz a primeira leitura do cenário, do passivo e das garantias envolvidas.