Plano de recuperação judicial
O que se vota.
Um dia, uma sala, quatro classes. Quem chega à assembleia sem saber como cada voto pesa já perdeu a votação antes de ela começar.
A assembleia geral de credores é convocada quando há objeção ao plano e delibera por classe, pelo artigo 41 da Lei 11.101/2005. Nas classes de garantia real e quirografária o plano precisa de maioria em valor e em número de presentes; nas de trabalhistas e de pequeno porte, só de maioria simples por cabeça.
Resumo
A assembleia é convocada por edital, com quinze dias de antecedência para a primeira convocação e cinco para a segunda, e se instala em primeira convocação com credores titulares de mais da metade dos créditos de cada classe e, em segunda, com qualquer número. Vota quem consta da relação de credores, com o valor ali fixado; quem teve o crédito impugnado vota conforme a decisão do juiz, e quem não está na relação não vota, o que faz da habilitação uma disputa estratégica, tratada em habilitação e impugnação de crédito. O credor não sujeito à recuperação, como o fiduciário, não vota. Sócio, cônjuge e parentes até o segundo grau do devedor não têm direito de voto, pelo art. 43 da Lei 11.101/2005, e a sociedade em que o devedor seja sócio controlador também não. A assembleia pode ser realizada por videoconferência, e o voto pode ser colhido por termo de adesão nos termos da lei.
| Classe | Quem vota | Como se aprova o plano |
|---|---|---|
| I, trabalhista e acidente do trabalho | Cada credor, um voto | Maioria simples dos presentes, por cabeça |
| II, garantia real | Até o limite do bem | Maioria em valor dos presentes E maioria por cabeça |
| III, quirografário | Valor do crédito | Maioria em valor dos presentes E maioria por cabeça |
| IV, ME e EPP | Cada credor, um voto | Maioria simples dos presentes, por cabeça |
O art. 45 da Lei 11.101/2005 exige, portanto, dupla maioria nas classes II e III e maioria simples por cabeça nas classes I e IV. O credor com garantia real vota na classe II até o limite do valor do bem gravado e na III pelo que exceder, o que divide o seu voto e torna a avaliação do bem uma questão de poder, tratada em garantia real e poder de voto.
Rejeitado o plano pelo quórum ordinário, o art. 58, § 1º da Lei 11.101/2005 permite ao juiz conceder a recuperação se, cumulativamente, o plano tiver obtido: voto favorável de credores que representem mais da metade do valor de todos os créditos presentes, independentemente de classe; aprovação de duas classes, ou, havendo só duas, de uma delas; e, na classe que o rejeitou, voto favorável de mais de um terço dos credores, na forma do quórum daquela classe. O parágrafo segundo acrescenta a condição de não haver tratamento diferenciado entre os credores da classe que rejeitou. É a válvula que impede a minoria de derrubar um plano com apoio amplo, e a sua contagem precisa ser desenhada antes da assembleia, não depois. O caminho quando o cram down não fecha está em convolação em falência.
O voto é exercício de direito patrimonial, mas a jurisprudência reconhece o abuso quando o credor vota contra o plano por interesse estranho ao recebimento do crédito, para eliminar concorrente, para forçar vantagem individual, ou contra a evidência econômica de que a falência lhe daria menos. Reconhecido o abuso, o juiz pode desconsiderar aquele voto. O trabalho que decide a assembleia, porém, é anterior: conferir a relação de credores e impugnar o que estiver errado; mapear quem detém a maioria em valor e em número dentro de cada classe; negociar aditivos ao plano com os credores decisivos antes da data; e calcular, com antecedência, se o cram down fecha. O documento votado está em plano de recuperação judicial, e a via que dispensa assembleia, em recuperação extrajudicial.
A assembleia de credores tem um calendário próprio, e ele começa antes da votação. Publicado o edital com o aviso de recebimento do plano, os credores têm trinta dias para apresentar objeção. Havendo objeção, o juiz convoca a assembleia, e a convocação se publica com antecedência mínima de quinze dias, pelo artigo 36 da Lei 11.101/2005. A primeira convocação exige a presença de credores titulares de mais da metade dos créditos de cada classe; em segunda convocação, que ocorre no mínimo cinco dias depois, a assembleia se instala com qualquer número.
Esses prazos correm em paralelo com o da apresentação do plano, que é de sessenta dias da publicação da decisão que defere o processamento, pelo artigo 53. Para o credor, a consequência prática é que a preparação do voto não cabe na semana da assembleia: a análise do plano, a conferência do valor habilitado e a eventual impugnação precisam estar feitas antes da publicação do edital.
Nem toda recuperação passa por assembleia, e a diferença entre os caminhos muda a estratégia de quem negocia. A tabela põe os três lado a lado.
| Caminho | Quando ocorre | O que decide o resultado |
|---|---|---|
| Concessão sem assembleia | Nenhum credor apresenta objeção no prazo | O silêncio dos credores |
| Assembleia com aprovação | Há objeção e o plano obtém os quóruns do art. 45 | Voto por classe, por cabeça e por crédito |
| Cram down | O plano não obtém todos os quóruns, mas atende o art. 58, §1º | Decisão do juiz sobre requisitos objetivos |
Para o devedor, a assembleia é sempre a hipótese mais cara e mais incerta, e é por isso que a negociação prévia com os credores relevantes vale mais do que a articulação de votos na véspera.
A assembleia é presidida pelo administrador judicial, que a conduz, lavra a ata e apura os votos. Vota quem consta da relação de credores vigente na data, com o valor ali registrado, o que torna a habilitação e a impugnação de crédito uma disputa anterior e decisiva. O sócio do devedor e quem for parte relacionada não votam na deliberação sobre o plano. E o juízo da recuperação é quem homologa, declara a aprovação ou reconhece a rejeição, e é também quem julga a alegação de abuso do direito de voto.
A decisão sobre o resultado da assembleia comporta recurso, mas não paralisa o processo por si: a recuperação segue seu curso enquanto a discussão corre em instância superior, o que reforça a importância de resolver as impugnações antes da votação, e não depois.
A assembleia corre no juízo da recuperação, e os dois estados concentraram esses processos em poucas varas. Em Mato Grosso do Sul, pela Resolução TJMS 288, de 3 de maio de 2023, são quatro varas regionais, entre elas a 5ª Vara Cível e Regional de Falências e Recuperações de Dourados, que alcança a 2ª, a 6ª e a 8ª circunscrições judiciárias. Em Mato Grosso, pela Resolução TJ-MT/OE nº 10, de 30 de julho de 2020, a competência regional está na 1ª Vara Cível de Cuiabá, na 4ª de Sinop e na 4ª de Rondonópolis.
Para o produtor rural e para a empresa do agronegócio, isso significa que a assembleia pode acontecer a centenas de quilômetros da sede da atividade, com efeito direto no custo de deslocamento de credores, procuradores e do próprio devedor. O mapa completo, praça por praça, está em onde se pede recuperação judicial em MS e em MT.
A preparação começa semanas antes da data. O escritório confere a relação de credores publicada pelo administrador judicial, apura divergências de valor e de classificação e impugna o que estiver errado, porque é essa lista que define quem vota e com que peso. Em paralelo monta a simulação de quórum por classe e testa o cenário do cram down, para saber de quantos votos o plano precisa e de quem.
Com o mapa pronto, vem a negociação individual com os credores decisivos de cada classe e os aditivos ao plano necessários para fechar a conta. No dia, a atuação é de condução: conferência de presença e procurações, registro das manifestações e das ressalvas e acompanhamento da apuração voto a voto. Rejeitado o plano, o trabalho segue no aditamento ou na demonstração dos requisitos do artigo 58.
Cada caso possui particularidades próprias e deve ser avaliado individualmente, considerando o perfil de endividamento e os credores envolvidos. Este conteúdo é informativo e não substitui a análise do caso concreto.
Quando algum credor apresenta objeção ao plano no prazo de trinta dias. Sem objeção, o juiz concede a recuperação sem assembleia.
Nas classes de garantia real e quirografária, por maioria em valor e em número dos presentes; nas de trabalhistas e de pequeno porte, por maioria simples por cabeça.
A aprovação judicial do plano rejeitado, quando presentes os requisitos cumulativos do artigo 58, § 1º: maioria de todos os créditos presentes, aprovação de duas classes e mais de um terço na classe que rejeitou.
Não. O artigo 43 exclui do voto os sócios do devedor, as sociedades coligadas e o cônjuge e parentes até o segundo grau.
Publicado o edital com o aviso de recebimento do plano, os credores têm trinta dias para apresentar objeção. Havendo objeção, a convocação da assembleia se publica com antecedência mínima de quinze dias, pelo artigo 36 da Lei 11.101/2005. A primeira convocação exige a presença de credores titulares de mais da metade dos créditos de cada classe; em segunda convocação, no mínimo cinco dias depois, a assembleia se instala com qualquer número.
Não havendo objeção no prazo, o juiz concede a recuperação sem assembleia. Havendo objeção, a assembleia delibera e o resultado depende do voto por classe, por cabeça e por crédito. Não obtidos todos os quóruns, o plano ainda pode ser aprovado pelo cram down do artigo 58, parágrafo 1º, por decisão do juiz sobre requisitos objetivos.
Vota quem consta da relação de credores vigente na data, com o valor ali registrado, de modo que a preparação do voto não cabe na semana da assembleia: a análise do plano, a conferência do valor habilitado e a eventual impugnação precisam estar feitas antes da publicação do edital. A decisão sobre o resultado comporta recurso, mas não paralisa o processo por si.
A assembleia é presidida pelo administrador judicial, que a conduz, lavra a ata e apura os votos. Vota quem consta da relação de credores vigente na data, com o valor ali registrado. O juízo da recuperação homologa, declara a aprovação ou reconhece a rejeição, e julga a alegação de abuso do direito de voto.
No juízo da recuperação, e os dois estados concentraram esses processos em poucas varas. Em Mato Grosso do Sul, pela Resolução TJMS 288, de 3 de maio de 2023, são quatro varas regionais, entre elas a 5ª Vara Cível e Regional de Falências e Recuperações de Dourados, que alcança a 2ª, a 6ª e a 8ª circunscrições judiciárias. Em Mato Grosso, pela Resolução TJ-MT/OE nº 10, de 30 de julho de 2020, a competência regional está na 1ª Vara Cível de Cuiabá, na 4ª de Sinop e na 4ª de Rondonópolis.
OAB/MS 19.237, advogado e administrador judicial credenciado pela TMA Brasil.
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O processo.
A via sem assembleia.
Descreva a situação e a equipe da CFH faz a primeira leitura do cenário, do passivo e das garantias envolvidas.