CFH Advogados, Carneiro, Fernandes & Hammarstrom

Averbação de imóvel: quando é necessária

Averbar é atualizar a matrícula sem trocar de dono. E é o que falta na maioria dos imóveis.

Averbação é o ato que atualiza a matrícula sem transferir a propriedade. Ela é necessária sempre que um fato relevante muda o imóvel ou a situação do titular: uma obra concluída, uma hipoteca quitada, um casamento, uma retificação de área. É o ato mais esquecido do registro imobiliário, e o que mais trava operações depois.

Resumo

  • A averbação do imóvel aparece em toda operação que passa pelo cartório: venda, financiamento, garantia, integralização em holding e inventário.
  • A averbação se pede ao cartório de registro de imóveis da circunscrição do bem, por requerimento do interessado acompanhado do documento que comprova o fato a averbar.
  • O prazo da averbação corre da prenotação: o registrador tem o prazo da Lei 6.015/1973 para praticar o ato ou formular exigência, e a exigência cumprida faz a contagem recomeçar.
  • A averbação é feita no cartório de registro de imóveis da circunscrição em que o imóvel está situado, e essa competência é territorial: não se escolhe o cartório nem se averba em outro município.

Averbar e registrar: a diferença

Averbar e registrar: a diferença
AtoO que fazExemplo típico
RegistroTransfere a propriedade ou constitui direito realCompra e venda, hipoteca
AverbaçãoAtualiza fato sobre o imóvel ou o titularConstrução, quitação, mudança de nome

Quando a averbação é exigida

Quando a averbação é exigida
SituaçãoO que se averbaDocumentos usuais
Obra concluídaConstruçãoHabite-se e documentação da obra
DemoliçãoBaixa da edificaçãoDocumentação municipal
Hipoteca ou alienação quitadaCancelamento do gravameTermo de quitação do credor
Mudança de estado civil do titularNovo estado civil na matrículaCertidão atualizada
Mudança de nomeAlteração do titularDocumento comprobatório
Retificação de áreaNova descriçãoPlanta e memorial descritivo
Reserva legal, em imóvel ruralInstituição da áreaDocumentação ambiental

Riscos de não averbar

  • Imóvel construído registrado como terreno, sem acesso a financiamento
  • Gravame quitado que continua aparecendo na certidão de ônus
  • Exigência de última hora no cartório, atrasando a escritura
  • Divergência entre a matrícula e a realidade na abertura do inventário

Erros comuns

  • Guardar o termo de quitação sem levá-lo ao cartório
  • Averbar a construção só quando surge o comprador
  • Deixar o estado civil desatualizado por anos
  • Confundir averbação com simples anotação interna

Onde isso aparece

A averbação do imóvel aparece em toda operação que passa pelo cartório: venda, financiamento, garantia, integralização em holding e inventário. A visão completa está no guia dos documentos imobiliários.

Como se pede a averbação, do requerimento à certidão

A averbação se pede ao cartório de registro de imóveis da circunscrição do bem, por requerimento do interessado acompanhado do documento que comprova o fato a averbar.

O pedido é protocolado e recebe prenotação, que garante a prioridade do título; o registrador qualifica o documento e, faltando algo, formula exigência por escrito. Cumprida a exigência, o ato é praticado, e o interessado pede certidão nova da matrícula, que é o documento com que ele comprova a averbação ao banco, ao comprador e ao fisco. Em averbação de construção, o que falta quase sempre é documento municipal, como o habite-se, e por isso a providência começa na prefeitura, e não no cartório. Em averbação de cancelamento de gravame, o documento é o termo de quitação, que precisa estar assinado por quem tem poderes para dar quitação em nome do credor. Quem reúne o documento certo antes de protocolar resolve a averbação em um único protocolo; quem protocola para descobrir o que falta percorre o caminho duas vezes.

Quanto tempo a averbação leva e quando o prazo recomeça

O prazo da averbação corre da prenotação: o registrador tem o prazo da Lei 6.015/1973 para praticar o ato ou formular exigência, e a exigência cumprida faz a contagem recomeçar.

Averbação simples, como a mudança de estado civil do titular ou o cancelamento de hipoteca já quitada, costuma sair dentro desse prazo. O que alonga o calendário não é o cartório: é o documento anterior a ele. Habite-se de obra antiga, termo de quitação que o credor demora a emitir e documentação ambiental de reserva legal são itens fora do controle do proprietário, e levam semanas ou meses. A retificação de área, que também termina em averbação, depende de planta, memorial descritivo e, em imóvel rural, da certificação do georreferenciamento pelo INCRA, e por isso se conta em meses. O erro de cronograma mais comum é descobrir a averbação pendente quando o comprador já assinou proposta, porque aí o prazo de quem averba passa a ser o prazo do negócio.

Em qual cartório a averbação do imóvel é feita

A averbação é feita no cartório de registro de imóveis da circunscrição em que o imóvel está situado, e essa competência é territorial: não se escolhe o cartório nem se averba em outro município.

Quem pratica o ato é o oficial de registro de imóveis, que qualifica o título e responde por ele. O cartório de notas, onde se lavram escrituras e procurações, não averba nada na matrícula, e o registro de títulos e documentos, onde se registram contratos sem efeito real, também não. Essa separação explica por que guardar a escritura em casa não atualiza a matrícula: o documento está no lugar errado para esse efeito. Em imóvel rural somam-se órgãos que não são cartório, e cada um emite documento que o registrador exige antes de averbar: o INCRA, que mantém o cadastro e certifica a poligonal, o órgão ambiental do estado, que mantém o cadastro ambiental, e a Receita Federal, que recebe a declaração do imposto territorial.

O que muda em Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso

A averbação segue a mesma lei federal nos dois estados, e o que muda é o custo do ato e o conjunto de órgãos estaduais envolvidos, porque a tabela de emolumentos é lei de cada estado.

Na prática, a mesma averbação sobre dois imóveis de valor igual custa valores diferentes em Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso, e o cálculo se faz pela tabela estadual vigente na data do ato. Em imóvel rural, a família com área nos dois estados lida com duas superintendências do INCRA e dois órgãos ambientais estaduais, cada um com o seu sistema e o seu tempo de resposta, situação comum em propriedades da região de Dourados que avançaram para o norte. O cartório competente também se multiplica: fazenda cortada pela divisa entre municípios pode ter matrículas em circunscrições distintas, e cada matrícula se averba onde está. O cronograma, nesse cenário, se planeja pelo órgão mais lento, e não pela média.

Matrícula e cadastro da prefeitura: a diferença entre os dois

A matrícula e o cadastro imobiliário da prefeitura são registros distintos: a averbação atualiza a matrícula, no cartório, e não atualiza sozinha o cadastro municipal de onde sai o imposto.

O cadastro da prefeitura descreve o imóvel para fins fiscais e serve ao lançamento do imposto predial e territorial urbano; a matrícula descreve o bem e os direitos sobre ele para fins civis. Averbada uma construção, o proprietário ainda precisa levar o ato ao cadastro municipal, sob pena de seguir pagando imposto como terreno, ou de receber lançamento sobre área que não corresponde ao que existe. O inverso também aparece: imóvel inscrito na prefeitura com a obra reconhecida e matrícula que descreve apenas o terreno, o que trava financiamento, porque o banco lê a matrícula. Em imóvel rural, o par equivalente é a matrícula e o cadastro do INCRA, com o mesmo efeito: área diferente nos dois lugares é inconsistência que impede a transmissão.

Leitura relacionada

Este conteúdo integra a área de Imóvel rural.

Conteúdo informativo. Cada caso é avaliado individualmente, a partir dos documentos e das garantias envolvidas, e nada aqui substitui a análise do caso concreto nem representa promessa de resultado.

Perguntas frequentes

Averbação transfere propriedade?

Não. Ela atualiza a matrícula quanto a um fato. A transferência de propriedade se dá pelo registro do título translativo.

Quem pede a averbação?

Em regra o interessado, normalmente o proprietário, apresentando ao cartório o documento que comprova o fato a ser averbado.

Quitei o financiamento. O gravame cai sozinho?

Não. É preciso apresentar o termo de quitação ao cartório e averbar o cancelamento. Enquanto isso não ocorre, o gravame consta da certidão.

Averbar construção gera imposto?

A averbação em si envolve emolumentos do cartório. Obrigações tributárias e municipais relacionadas à obra seguem regras próprias e devem ser verificadas.

Em imóvel rural, o que se averba além do comum?

Entra a instituição da área de reserva legal, com a documentação ambiental correspondente, além das averbações comuns de construção, quitação e retificação. O cadastro ambiental não substitui essa averbação.

Demolição também se averba?

Sim, com a documentação municipal, para que a matrícula pare de descrever edificação que já não existe. Matrícula que descreve o imóvel como ele não é trava a operação seguinte.

Quanto custa averbar?

A averbação paga emolumentos do cartório, pela tabela estadual, e cada ato tem o seu valor. Obrigações tributárias e municipais ligadas ao fato averbado seguem regras próprias e se verificam à parte.

Retrato de Patrick Hammarstrom

Responsável pelo conteúdo

Patrick Hammarstrom

OAB/MS 20.674, sócio nominal e administrador judicial certificado pela TMA Brasil.

Publicado em · Revisado em · 7 min de leitura
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