Guia dos documentos imobiliários
A tabela completa.
Averbar é atualizar a matrícula sem trocar de dono. E é o que falta na maioria dos imóveis.
Averbação é o ato que atualiza a matrícula sem transferir a propriedade. Ela é necessária sempre que um fato relevante muda o imóvel ou a situação do titular: uma obra concluída, uma hipoteca quitada, um casamento, uma retificação de área. É o ato mais esquecido do registro imobiliário, e o que mais trava operações depois.
Resumo
| Ato | O que faz | Exemplo típico |
|---|---|---|
| Registro | Transfere a propriedade ou constitui direito real | Compra e venda, hipoteca |
| Averbação | Atualiza fato sobre o imóvel ou o titular | Construção, quitação, mudança de nome |
| Situação | O que se averba | Documentos usuais |
|---|---|---|
| Obra concluída | Construção | Habite-se e documentação da obra |
| Demolição | Baixa da edificação | Documentação municipal |
| Hipoteca ou alienação quitada | Cancelamento do gravame | Termo de quitação do credor |
| Mudança de estado civil do titular | Novo estado civil na matrícula | Certidão atualizada |
| Mudança de nome | Alteração do titular | Documento comprobatório |
| Retificação de área | Nova descrição | Planta e memorial descritivo |
| Reserva legal, em imóvel rural | Instituição da área | Documentação ambiental |
A averbação do imóvel aparece em toda operação que passa pelo cartório: venda, financiamento, garantia, integralização em holding e inventário. A visão completa está no guia dos documentos imobiliários.
A averbação se pede ao cartório de registro de imóveis da circunscrição do bem, por requerimento do interessado acompanhado do documento que comprova o fato a averbar.
O pedido é protocolado e recebe prenotação, que garante a prioridade do título; o registrador qualifica o documento e, faltando algo, formula exigência por escrito. Cumprida a exigência, o ato é praticado, e o interessado pede certidão nova da matrícula, que é o documento com que ele comprova a averbação ao banco, ao comprador e ao fisco. Em averbação de construção, o que falta quase sempre é documento municipal, como o habite-se, e por isso a providência começa na prefeitura, e não no cartório. Em averbação de cancelamento de gravame, o documento é o termo de quitação, que precisa estar assinado por quem tem poderes para dar quitação em nome do credor. Quem reúne o documento certo antes de protocolar resolve a averbação em um único protocolo; quem protocola para descobrir o que falta percorre o caminho duas vezes.
O prazo da averbação corre da prenotação: o registrador tem o prazo da Lei 6.015/1973 para praticar o ato ou formular exigência, e a exigência cumprida faz a contagem recomeçar.
Averbação simples, como a mudança de estado civil do titular ou o cancelamento de hipoteca já quitada, costuma sair dentro desse prazo. O que alonga o calendário não é o cartório: é o documento anterior a ele. Habite-se de obra antiga, termo de quitação que o credor demora a emitir e documentação ambiental de reserva legal são itens fora do controle do proprietário, e levam semanas ou meses. A retificação de área, que também termina em averbação, depende de planta, memorial descritivo e, em imóvel rural, da certificação do georreferenciamento pelo INCRA, e por isso se conta em meses. O erro de cronograma mais comum é descobrir a averbação pendente quando o comprador já assinou proposta, porque aí o prazo de quem averba passa a ser o prazo do negócio.
A averbação é feita no cartório de registro de imóveis da circunscrição em que o imóvel está situado, e essa competência é territorial: não se escolhe o cartório nem se averba em outro município.
Quem pratica o ato é o oficial de registro de imóveis, que qualifica o título e responde por ele. O cartório de notas, onde se lavram escrituras e procurações, não averba nada na matrícula, e o registro de títulos e documentos, onde se registram contratos sem efeito real, também não. Essa separação explica por que guardar a escritura em casa não atualiza a matrícula: o documento está no lugar errado para esse efeito. Em imóvel rural somam-se órgãos que não são cartório, e cada um emite documento que o registrador exige antes de averbar: o INCRA, que mantém o cadastro e certifica a poligonal, o órgão ambiental do estado, que mantém o cadastro ambiental, e a Receita Federal, que recebe a declaração do imposto territorial.
A averbação segue a mesma lei federal nos dois estados, e o que muda é o custo do ato e o conjunto de órgãos estaduais envolvidos, porque a tabela de emolumentos é lei de cada estado.
Na prática, a mesma averbação sobre dois imóveis de valor igual custa valores diferentes em Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso, e o cálculo se faz pela tabela estadual vigente na data do ato. Em imóvel rural, a família com área nos dois estados lida com duas superintendências do INCRA e dois órgãos ambientais estaduais, cada um com o seu sistema e o seu tempo de resposta, situação comum em propriedades da região de Dourados que avançaram para o norte. O cartório competente também se multiplica: fazenda cortada pela divisa entre municípios pode ter matrículas em circunscrições distintas, e cada matrícula se averba onde está. O cronograma, nesse cenário, se planeja pelo órgão mais lento, e não pela média.
A matrícula e o cadastro imobiliário da prefeitura são registros distintos: a averbação atualiza a matrícula, no cartório, e não atualiza sozinha o cadastro municipal de onde sai o imposto.
O cadastro da prefeitura descreve o imóvel para fins fiscais e serve ao lançamento do imposto predial e territorial urbano; a matrícula descreve o bem e os direitos sobre ele para fins civis. Averbada uma construção, o proprietário ainda precisa levar o ato ao cadastro municipal, sob pena de seguir pagando imposto como terreno, ou de receber lançamento sobre área que não corresponde ao que existe. O inverso também aparece: imóvel inscrito na prefeitura com a obra reconhecida e matrícula que descreve apenas o terreno, o que trava financiamento, porque o banco lê a matrícula. Em imóvel rural, o par equivalente é a matrícula e o cadastro do INCRA, com o mesmo efeito: área diferente nos dois lugares é inconsistência que impede a transmissão.
Este conteúdo integra a área de Imóvel rural.
Conteúdo informativo. Cada caso é avaliado individualmente, a partir dos documentos e das garantias envolvidas, e nada aqui substitui a análise do caso concreto nem representa promessa de resultado.
Não. Ela atualiza a matrícula quanto a um fato. A transferência de propriedade se dá pelo registro do título translativo.
Em regra o interessado, normalmente o proprietário, apresentando ao cartório o documento que comprova o fato a ser averbado.
Não. É preciso apresentar o termo de quitação ao cartório e averbar o cancelamento. Enquanto isso não ocorre, o gravame consta da certidão.
A averbação em si envolve emolumentos do cartório. Obrigações tributárias e municipais relacionadas à obra seguem regras próprias e devem ser verificadas.
Entra a instituição da área de reserva legal, com a documentação ambiental correspondente, além das averbações comuns de construção, quitação e retificação. O cadastro ambiental não substitui essa averbação.
Sim, com a documentação municipal, para que a matrícula pare de descrever edificação que já não existe. Matrícula que descreve o imóvel como ele não é trava a operação seguinte.
A averbação paga emolumentos do cartório, pela tabela estadual, e cada ato tem o seu valor. Obrigações tributárias e municipais ligadas ao fato averbado seguem regras próprias e se verificam à parte.
OAB/MS 20.674, sócio nominal e administrador judicial certificado pela TMA Brasil.
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