CFH Advogados, Carneiro, Fernandes & Hammarstrom

Comunicação de perdas do Proagro fora do prazo

A lavoura perdida ainda está em campo por poucos dias. Depois dela, a prova some, e o programa não tem como verificar o que ninguém viu.

A comunicação de perdas informa ao agente do Proagro o evento coberto, e é nela que o pedido se formaliza. A Seção 12-4 do Manual de Crédito Rural não fixa prazo em dias: a comunicação é intempestiva quando feita em data que já não permita apurar a causa e a extensão da perda. Negada por isso, a recusa não discute o mérito do evento, e sim a impossibilidade de verificar a perda em campo.

Resumo

  • A exigência de comunicação tempestiva serve à verificação.
  • O critério de tempestividade e o rito de verificação estão no capítulo do Proagro do Manual de Crédito Rural e mudam por resolução.
  • Negada a cobertura, a operação de custeio continua devendo, e é aí que entra o outro instrumento: o pedido de prorrogação por frustração de safra, que tem prazo e prova próprios e não depende do Proagro.
  • A comunicação de perdas ao Proagro não tem prazo fixado em dias, e o que a norma define é quando ela se torna intempestiva, pelo critério do que ainda se consegue apurar no campo.

Por que a comunicação tem de ser tempestiva

A exigência de comunicação tempestiva serve à verificação. O programa apura a perda por vistoria, com laudo do verificador, e essa apuração só é possível enquanto a lavoura ainda existe no estado em que foi atingida. Colhida ou descartada a área, a perda passa a ser inferida por documento, e o grau de certeza cai. É por isso que a comunicação intempestiva derruba o pedido mesmo quando o evento climático é público e incontroverso.

O que a norma vigente define

O critério de tempestividade e o rito de verificação estão no capítulo do Proagro do Manual de Crédito Rural e mudam por resolução. A Seção 12-4 não fixa prazo em dias para o beneficiário: ela descreve quando a comunicação já não permite apurar causa e extensão, e é esse o momento em que ela se torna intempestiva. A Resolução CMN nº 5.315, de 25 de junho de 2026, alterou a seção de verificação de perdas desse capítulo, e a redação aplicável a cada safra precisa ser conferida na fonte, junto ao agente financeiro e ao texto vigente do manual. Tratar como definitiva a regra de uma safra anterior é erro frequente. O regime completo do programa está em Proagro.

O que ainda se pode fazer depois do prazo do Proagro

  • Reunir registro fotográfico datado da lavoura no estado da perda
  • Obter laudo técnico contemporâneo, se houver, ainda que particular
  • Juntar dados oficiais do evento climático na região e na data
  • Comparar produtividade histórica da área com a efetivamente colhida
  • Pedir por escrito a fundamentação da negativa, antes de qualquer medida

O caminho paralelo

Negada a cobertura, a operação de custeio continua devendo, e é aí que entra o outro instrumento: o pedido de prorrogação por frustração de safra, que tem prazo e prova próprios e não depende do Proagro. As duas frentes usam boa parte do mesmo material técnico, e por isso o laudo bem feito costuma servir às duas. O detalhe está em prorrogação de custeio por frustração de safra.

O que a norma do Proagro chama de comunicação intempestiva

A comunicação de perdas ao Proagro não tem prazo fixado em dias, e o que a norma define é quando ela se torna intempestiva, pelo critério do que ainda se consegue apurar no campo. A regra está na Seção 12-4 do Manual de Crédito Rural, na redação da Atualização MCR nº 757, de 17 de julho de 2026.

É intempestiva a comunicação feita em data que não permita mais apurar as causas e a extensão das perdas, identificar os itens do orçamento não realizados e aferir a tecnologia empregada, inclusive quanto ao zoneamento agrícola de risco climático. É intempestiva também a feita após a colheita ou a derrubada total da lavoura, e a feita depois do término da vigência do amparo, que a norma proíbe o agente de receber. Comunicação intempestiva é, pela própria seção, comunicação indevida, e esse é o enquadramento que aparece na negativa. Há um prazo em dias na seção, e ele corre contra o agente, não contra o produtor: recebida a comunicação, o agente tem até cinco dias úteis para solicitar os serviços de comprovação de perdas. O regime completo está em Proagro.

O custo do atraso na comunicação, e o que ele não devolve

O custo do atraso na comunicação de perdas é o valor inteiro da cobertura que se perde, e ele não devolve o adicional do Proagro, que foi recolhido na contratação do custeio e não acompanha a sorte do pedido.

A conta tem três linhas. A primeira é a operação de custeio, que continua vencendo integralmente, com os encargos de mora, porque o programa exonera o produtor das obrigações financeiras apenas quando a cobertura se confirma. A segunda é o adicional pago na contratação: pagou-se o custo da proteção e ficou-se sem a proteção. A terceira é a posição na mesa seguinte, porque o produtor chega à renegociação ou ao pedido de prorrogação sem a cobertura que daria lastro ao fluxo, e o banco lê isso como risco assumido, efeito descrito em prorrogação de custeio por frustração de safra. Soma-se o custo da prova tardia: laudo particular, imagens e histórico de produtividade reunidos depois do evento custam mais e valem menos.

Proagro ou seguro privado: o que cada cobertura exige na hora da perda

Proagro e seguro agrícola privado protegem coisas diferentes e exigem atos diferentes na hora da perda, e é essa distinção que decide o que o produtor precisa fazer no dia em que a lavoura se perde.

O Proagro é programa disciplinado no Manual de Crédito Rural e protege a operação de custeio enquadrada, com a cobertura formalizada na comunicação de perdas e apurada por vistoria e laudo; quem decide é o agente financeiro. O seguro privado é contrato com seguradora e protege a produtividade garantida na apólice, com aviso de sinistro no prazo que ela fixa e regulação por perito; quem decide é a seguradora. Um protege a dívida, o outro protege a produtividade contratada, e os dois dependem de lavoura em campo para serem apurados. Quem tem as duas coberturas precisa acionar as duas no mesmo momento, e não em sequência, porque o atraso em qualquer delas se resolve pelo mesmo critério: o que ainda se consegue verificar. A comparação completa está em seguro rural e risco climático.

Quem verifica a perda e onde a negativa se discute, em MS e em MT

Quem verifica a perda é o agente financeiro, por meio dos serviços de comprovação que ele solicita, e desde 2024 essa verificação começa antes do perito, por sensoriamento remoto.

Para empreendimentos enquadrados a partir de 1º de julho de 2024, por força da Resolução CMN 5.127, o agente deve verificar por sensoriamento remoto, antes da comprovação de perdas, se a lavoura efetivamente emergiu e se as recomendações do zoneamento foram respeitadas, e esses dados chegam ao responsável pela comprovação como subsídio obrigatório. Comprovada a ausência de emergência ou a desconformidade com o zoneamento em toda a área, a comunicação deve ser considerada indevida. A discussão da negativa começa na própria instituição, pela ouvidoria, etapa rápida e sem custo, e segue, se preciso, na vara cível da comarca do domicílio do devedor ou do foro eleito, em Mato Grosso do Sul como em Mato Grosso. O órgão que edita a norma, o Conselho Monetário Nacional, não participa dessa decisão.

Erros comuns

  • Esperar a colheita para comunicar a perda
  • Usar o prazo de uma safra anterior como referência
  • Não fotografar a lavoura no dia do evento
  • Aceitar a negativa sem pedir fundamentação por escrito

Conteúdo informativo. Cada caso é avaliado individualmente, a partir da matrícula, dos cadastros e da documentação da atividade, e nada aqui substitui a análise do caso concreto nem representa promessa de resultado.

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Este conteúdo integra a área de Direito do agronegócio.

Conteúdo informativo. Cada caso é avaliado individualmente, a partir dos documentos e das garantias envolvidas, e nada aqui substitui a análise do caso concreto nem representa promessa de resultado.

Perguntas frequentes

Qual o prazo para comunicar a perda?

É o fixado na norma vigente do capítulo do Proagro no Manual de Crédito Rural, que muda por resolução. A Resolução CMN 5.315/2026 alterou a seção de verificação de perdas, e a redação aplicável se confere na fonte.

Comuniquei tarde. Ainda dá para tentar?

Dá para apresentar a prova disponível e pedir a fundamentação da negativa por escrito, mas a ausência de verificação em campo é o obstáculo central e nem sempre se supera.

O evento climático público não basta?

O reconhecimento público do evento climático prova o evento, não a perda naquela lavoura nem a extensão dela. São demonstrações distintas, e a verificação em campo é a que o programa usa.

Se o Proagro negar, a dívida some?

Não. A operação de custeio continua devendo, e o caminho paralelo é o pedido de prorrogação, com prazo e prova próprios.

Por que o prazo de comunicação é tão curto?

O prazo serve à verificação: o programa apura a perda por vistoria, com laudo do verificador, e isso só é possível enquanto a lavoura ainda existe no estado em que foi atingida. Colhida ou descartada a área, a perda passa a ser inferida por documento, e o grau de certeza cai.

O que reunir quando a comunicação saiu tarde?

Registro fotográfico datado da lavoura no estado da perda, laudo técnico contemporâneo ainda que particular, dados oficiais do evento climático na região e na data, e a comparação entre a produtividade histórica da área e a efetivamente colhida. Antes de qualquer medida, o pedido por escrito da fundamentação da negativa.

Posso usar o prazo da safra passada como referência?

Os prazos de comunicação e o rito de verificação estão no capítulo do Proagro do Manual de Crédito Rural e mudam por resolução, e a Resolução CMN 5.315/2026 alterou a seção de verificação de perdas. Tratar como definitiva a regra de uma safra anterior é erro frequente.

Vale pedir a negativa por escrito?

A negativa fundamentada diz qual requisito o agente entende não preenchido, e é ela que mostra o que ainda pode ser reforçado. Aceitar a recusa sem esse documento é ficar sem objeto para discutir.

Retrato de Rômulo Almeida Carneiro

Responsável pelo conteúdo

Rômulo Almeida Carneiro

OAB/MS 15.746, sócio-fundador e administrador judicial credenciado pela TMA Brasil.

Publicado em · Revisado em · 8 min de leitura
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