Due diligence de imóvel em leilão
A análise que diz não.
Dizer não é a parte mais valiosa da análise. Estes são os sinais que, sozinhos ou combinados, fazem o desconto do leilão não valer o problema.
A análise prévia de um imóvel em leilão termina em uma de três recomendações: arrematar, arrematar até um teto, ou não arrematar. Dez sinais levam à terceira, do credor não intimado à indisponibilidade sem levantamento, do ocupante com título à consolidação por edital. Este artigo mostra cada um e o que ele custa.
Resumo
Credor com garantia real que não foi intimado do leilão, como exige o art. 889 do Código de Processo Civil, torna a arrematação ineficaz perante ele: o arrematante compra um imóvel que continua hipotecado a quem não recebeu nada. Embargos à execução, impugnação ou recurso com efeito suspensivo pendentes podem extinguir a execução ou desfazer a penhora, e ainda que a arrematação subsista pelo artigo 903, o litígio se prolonga. No leilão extrajudicial, a consolidação com intimação por edital e sem certidão de diligências é o vício mais comum de anulação, tema de intimação do devedor na consolidação. Avaliação com anos de idade expõe a arrematação ao preço vil disfarçado. Cada um desses sinais, isolado, pode ser absorvido por um teto de lance; dois ou mais juntos costumam levar ao não. O rito está em leilão de imóveis.
Indisponibilidade decretada por juízo de improbidade ou falência, sem perspectiva de levantamento, é registro bloqueado por tempo indefinido, tema de indisponibilidade de bens. Elo faltante na cadeia dominial, ou aquisição do executado atacada em ação registrada, é risco de evicção: o arrematante pode perder o bem para o verdadeiro dono e ficar com um crédito contra um insolvente, como se explica em evicção do imóvel arrematado. Alienação fiduciária vigente significa que o executado não é dono, e o que se arremata é a posição de devedor de um financiamento. Cláusula de inalienabilidade sobre o bem torna a penhora discutível. Imóvel rural sem georreferenciamento, em área que já exige a certificação, é registro impossível até que o arrematante pague por ele, com meses de prazo. Em cada caso, a pergunta é se o desconto do lance paga o problema.
Locatário com contrato averbado de prazo longo, para quem quer morar, é espera sem renda compatível. Possuidor antigo com obras e boa-fé é retenção por benfeitorias e ação de anos. Débito de condomínio atribuído ao arrematante em valor próximo da diferença entre a avaliação e o lance zera o desconto. Somados a comissão, ITBI, registro, cancelamentos, regularização e o custo do capital parado, como se lista em o custo real de arrematar, o imóvel que parecia trinta por cento abaixo do mercado pode custar o mercado, com o risco a mais. O parecer da due diligence de imóvel em leilão faz essa conta e entrega o teto: o valor acima do qual o negócio não compensa. Quando o teto fica abaixo do preço mínimo do leilão, a recomendação é não dar lance.
| Sinal | Onde se vê | Risco |
|---|---|---|
| Credor com garantia não intimado | Autos; matrícula | Ineficácia; garantia subsiste |
| Indisponibilidade sem levantamento | Matrícula; CNIB | Registro bloqueado |
| Elo faltante na cadeia dominial | Matrícula de inteiro teor | Evicção |
| Ocupante com título longo | Matrícula; vistoria | Anos sem posse |
| Consolidação por edital sem diligências | Certidão do cartório | Anulação do leilão extrajudicial |
| Embargos ou recurso pendentes | Autos | Litígio prolongado; risco de desfazimento |
| Débito assumido alto | Edital; condomínio | Desconto zerado |
| Avaliação defasada | Laudo nos autos | Preço vil disfarçado |
| Rural sem georreferenciamento | Matrícula; INCRA | Registro impossível até certificar |
| Alienação fiduciária vigente | Matrícula | Executado não é dono |
Conteúdo informativo. Cada caso é avaliado individualmente, a partir do edital, da matrícula e dos autos, e nada aqui substitui a análise do caso concreto nem representa promessa de resultado.
Este conteúdo integra a área de Leilão de imóveis.
Conteúdo informativo. Cada caso é avaliado individualmente, a partir dos documentos e das garantias envolvidas, e nada aqui substitui a análise do caso concreto nem representa promessa de resultado.
Quando um ou mais dos dez sinais deste artigo fazem o custo ou o risco superar o desconto: credor não intimado, indisponibilidade, elo faltante, ocupante com título, consolidação viciada, litígio pendente, débito alto, avaliação defasada, rural sem georreferenciamento, alienação fiduciária.
O peso de um sinal isolado depende de qual sinal é. Alguns se absorvem por um teto de lance; outros, como indisponibilidade de falência ou credor não intimado, costumam ser suficientes sozinhos.
O valor acima do qual, somados custo e risco, o negócio deixa de compensar. Se fica abaixo do preço mínimo do leilão, a recomendação é não dar lance.
Não. Muitos imóveis passam na análise e a recomendação é arrematar. Quando não passam, a recomendação vem com o motivo e com o que faria o negócio compensar, se houver.
O suficiente para obter certidões atualizadas, ler os autos e, quando possível, vistoriar o imóvel. Analisar na véspera é um dos erros que mais produzem lance ruim.
Desconto grande costuma ser a precificação de um problema que o mercado já viu. A pergunta certa não é quanto o imóvel está abaixo do mercado, e sim o que explica a diferença.
OAB/MS 20.674, sócio nominal e administrador judicial certificado pela TMA Brasil.
Publicado em · Revisado em · 5 min de leituraA análise que diz não.
A conta que decide.
O rito e os riscos.
Descreva a situação e a equipe da CFH faz a primeira leitura do cenário, do passivo e das garantias envolvidas.