CFH Advogados, Carneiro, Fernandes & Hammarstrom

Regularização de imóvel rural arrematado

Depois de arrematar, o trabalho é fazer a matrícula e os cadastros corresponderem à fazenda que passou a ser sua.

Quem arremata recebe um título, não a propriedade registrada. A regularização do imóvel arrematado é o conjunto de providências que leva esse título à matrícula, cancela o que precisa ser cancelado, resolve os débitos que acompanham o bem e alinha os cadastros. Sem isso, o arrematante não consegue vender, financiar nem dar o imóvel em garantia.

No rural, a regularização pós-arrematação envolve três cadastros além da matrícula: o CCIR no INCRA, a declaração do ITR na Receita e o CAR no órgão ambiental estadual. Enquanto os três não apontarem o novo titular e a mesma área, o imóvel continua sem acesso a crédito, ainda que o registro já esteja no nome do arrematante.

As etapas

EtapaO que aconteceOnde
1. Obtenção do títuloCarta de arrematação ou instrumento da modalidadeJuízo ou credor
2. Conferência da matrículaLeitura da cadeia e dos ônus registradosCartório de registro de imóveis
3. Quitação de tributos do atoRecolhimento dos tributos incidentesMunicípio ou estado
4. Registro do títuloPropriedade passa ao arrematanteMatrícula do imóvel
5. Cancelamento de ônusBaixa dos gravames alcançados pelo procedimentoMatrícula do imóvel
6. Ajuste de cadastrosPrefeitura e, em imóvel rural, INCRA e órgão ambientalÓrgãos competentes
7. PosseDesocupação amigável ou medida judicialImóvel ou juízo

Documentos necessários

  • Carta de arrematação ou instrumento equivalente
  • Matrícula atualizada e certidão de ônus reais
  • Comprovação do recolhimento dos tributos incidentes sobre o ato
  • Certidões negativas de tributos do imóvel
  • Documentos pessoais do arrematante e comprovação de estado civil
  • Em imóvel rural, CCIR, CAR, ITR e certificação do georreferenciamento

O que cada documento informa está no guia dos documentos imobiliários.

O que costuma travar o registro

  • Débitos fiscais do imóvel não quitados
  • Divergência entre a descrição do edital e a da matrícula
  • Ônus que não foram alcançados pelo procedimento
  • Construção não averbada, quando o imóvel tem edificação
  • Área rural sem certificação do georreferenciamento

Quando a regularização pós-arrematação é necessária

A regularização do imóvel rural arrematado é necessária sempre que a matrícula e os cadastros não correspondem ao que o arrematante passou a ter. Quatro situações a exigem: carta de arrematação não registrada, ônus antigos que continuam na matrícula depois do leilão, área sem georreferenciamento certificado pelo INCRA, e cadastros no CCIR, no ITR e no CAR ainda em nome do executado. Nenhuma delas se resolve sozinha com o tempo, e todas bloqueiam o uso econômico da fazenda arrematada.

Quanto custa regularizar a fazenda arrematada

O custo de regularizar o imóvel rural arrematado soma o que ficou de fora da conta do lance. Entram os emolumentos do Registro de Imóveis pelo registro da carta e por cada cancelamento de ônus, o ITBI sobre o valor da arrematação, o levantamento georreferenciado quando o cartório o exige na transferência, e as taxas de atualização cadastral. Tributos anteriores do imóvel, como ITR e IPTU, não entram nessa conta na arrematação judicial, porque se sub-rogam no preço, tema tratado em ITR e IPTU em imóvel arrematado.

Registrar a carta, cancelar ônus ou atualizar cadastro: por onde começar

Três frentes compõem a regularização pós-arrematação, e a ordem entre elas não é indiferente. O registro da carta vem primeiro, porque é ele que torna o arrematante proprietário e habilita todo o resto. O cancelamento dos ônus que não subsistem à arrematação vem depois, com base no que a carta e a decisão determinaram. A atualização cadastral no INCRA, na Receita Federal e no órgão ambiental vem por último, porque depende da titularidade já registrada. Inverter a ordem produz exigência recusada no balcão e retrabalho.

Quem registra e quem cancela cada coisa

A regularização do imóvel rural arrematado passa por quatro portas distintas. O juízo da execução expede a carta e decide sobre o cancelamento de constrições oriundas do processo. O Registro de Imóveis da situação do imóvel registra a carta, cancela os ônus e averba o que a decisão determinar. O INCRA atualiza o CCIR e certifica o georreferenciamento. E a Receita Federal recebe a declaração do ITR em nome do novo titular. Arrematante de fazenda em município diverso do seu domicílio trata com cada uma delas separadamente.

A fazenda arrematada em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso

A regularização de fazenda arrematada em Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso esbarra quase sempre na mesma pendência técnica: a área não certificada junto ao INCRA, que o cartório passa a exigir no momento da transferência. Com o volume de execuções do ciclo atual e a inadimplência do crédito rural em alta na região, cresceu o número de imóveis arrematados que ficam com a carta sem registro, e portanto sem crédito, sem venda e sem garantia. Levantar essa exigência antes do lance é o que separa uma boa arrematação de um ativo travado.

Erros comuns

  • Guardar a carta de arrematação sem levá-la a registro
  • Presumir que a arrematação limpou automaticamente toda a matrícula
  • Deixar de calcular tributos e emolumentos no valor do lance
  • Tentar vender o imóvel antes de registrar a aquisição

Como a CFH atua na regularização do imóvel rural arrematado

Conferência do título e da matrícula, levantamento de débitos, condução do registro, providências de cancelamento de gravames e alinhamento dos cadastros. Quando há ocupante, o caminho segue por imissão na posse.

Cada caso é avaliado individualmente, a partir dos documentos e das garantias envolvidas. Este conteúdo é informativo e não substitui a análise do caso concreto, nem representa promessa de resultado.

Perguntas frequentes

A carta de arrematação já transfere a propriedade?

A carta de arrematação é o título. A propriedade se transfere com o registro dela na matrícula do imóvel, no cartório da circunscrição do bem, como ocorre com qualquer título translativo.

Os ônus anteriores caem com a arrematação?

Depende da natureza do gravame, da modalidade do leilão e do que consta do edital e dos autos. Alguns são cancelados no procedimento; outros exigem providência específica. A verificação é feita na matrícula, ato por ato.

E os débitos de IPTU e condomínio?

O tratamento depende do edital e da natureza da obrigação. Débitos que recaem sobre o imóvel podem acompanhá-lo, razão pela qual entram no cálculo do lance.

Preciso de escritura depois de arrematar?

Não. O título é a carta de arrematação ou o instrumento equivalente da modalidade, que é levado a registro diretamente.

Quanto tempo leva o registro?

Depende do cartório e das exigências formuladas. Pendências fiscais e formais são a causa mais comum de devolução do título.

Retrato de Patrick Hammarstrom

Responsável pelo conteúdo

Patrick Hammarstrom

OAB/MS 20.674, sócio nominal e administrador judicial certificado pela TMA Brasil.

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