CFH Advogados, Carneiro, Fernandes & Hammarstrom

Efeito suspensivo dos embargos: quando o juiz concede

Embargar não para a execução. O que para é o efeito suspensivo, e ele tem três requisitos que raramente vêm juntos.

Os embargos à execução não suspendem a execução por regra. O juiz pode atribuir efeito suspensivo, a pedido, quando os três requisitos do artigo 919, § 1º, do CPC estiverem presentes: execução garantida por penhora, depósito ou caução suficientes; relevância da fundamentação; e risco de dano grave ou de difícil reparação.

Resumo

  • A garantia é a que mais falta, porque o devedor que embarga costuma não ter o valor para depositar, e a penhora existente raramente cobre a execução inteira.
  • O parágrafo terceiro do artigo 919 dispõe que, quando o efeito suspensivo disser respeito apenas a parte do objeto da execução, esta prosseguirá quanto à parte restante: embargos que discutem só os encargos suspendem a execução quanto a eles, e o incontroverso continua.
  • O devedor sem garantia não obtém o efeito suspensivo, mas não fica sem opções.
  • O efeito suspensivo se pede dentro dos próprios embargos, que correm em quinze dias da juntada do mandado de citação, pelo art.

A regra e a exceção

O art. 919 do Código de Processo Civil dispõe que os embargos à execução não terão efeito suspensivo, e o parágrafo primeiro permite ao juiz, a requerimento do embargante, atribuir efeito suspensivo quando verificados os requisitos para a concessão da tutela provisória e desde que a execução já esteja garantida por penhora, depósito ou caução suficientes. Os requisitos da tutela provisória, pelo art. 300 do Código de Processo Civil, são a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. A regra veio com a reforma de 2006 e foi mantida no CPC de 2015: o legislador quis que a execução andasse mesmo com defesa pendente, e reservou a suspensão para os casos em que o credor está garantido e a defesa tem fundamento. Sem os três, os embargos correm e a execução também, o que significa penhora, avaliação e leilão enquanto se discute. O contexto está em embargos à execução.

Os três requisitos, um a um

Os três requisitos, um a um
RequisitoO que éComo se demonstra
Garantia suficientePenhora, depósito ou caução que cubra a execuçãoAuto de penhora com avaliação; depósito; seguro ou fiança bancária
Relevância da fundamentaçãoProbabilidade de os embargos serem acolhidosDocumentos; recálculo; jurisprudência sobre a tese
Risco de dano gravePrejuízo que a execução causaria antes do julgamentoBem essencial; leilão iminente; dano irreversível

A garantia é a que mais falta, porque o devedor que embarga costuma não ter o valor para depositar, e a penhora existente raramente cobre a execução inteira. A jurisprudência admite a garantia parcial com efeito suspensivo parcial, e admite o seguro garantia e a fiança bancária como caução, o que abre caminho para quem tem crédito mas não tem caixa.

Suspensão parcial, atos que continuam e revogação

O parágrafo terceiro do artigo 919 dispõe que, quando o efeito suspensivo disser respeito apenas a parte do objeto da execução, esta prosseguirá quanto à parte restante: embargos que discutem só os encargos suspendem a execução quanto a eles, e o incontroverso continua. O parágrafo quinto esclarece que a concessão do efeito suspensivo não impede a efetivação dos atos de substituição, de reforço ou de redução da penhora e de avaliação dos bens: o que se suspende é a expropriação, não a preparação dela. O efeito pode ser revogado ou modificado a qualquer tempo, pelo parágrafo segundo, se as circunstâncias mudarem, como a insuficiência superveniente da garantia. Da decisão que concede ou nega o efeito cabe agravo de instrumento, pelo art. 1.015, parágrafo único do Código de Processo Civil, e é comum que a discussão se resolva no tribunal. A execução, enquanto isso, segue o caminho descrito em execução de título extrajudicial.

Sem garantia: as alternativas que restam

O devedor sem garantia não obtém o efeito suspensivo, mas não fica sem opções. Pode pedir que o juiz não autorize a alienação do bem penhorado até o julgamento dos embargos, com base no poder geral de cautela, o que muitos juízos concedem quando a tese é relevante. Pode alegar a impenhorabilidade do bem, que afasta a penhora independentemente dos embargos. Pode usar a exceção de pré-executividade para o vício de ordem pública, que, acolhida, extingue a execução sem garantia, tratada em exceção de pré-executividade. E pode negociar: a execução em curso com embargos relevantes pendentes é o momento em que o credor aceita o acordo que recusou antes. As defesas em conjunto estão em defesa em execução.

Em que prazo se pede o efeito suspensivo, e quanto custa garantir o juízo

O efeito suspensivo se pede dentro dos próprios embargos, que correm em quinze dias da juntada do mandado de citação, pelo art. 915 do Código de Processo Civil, e o pedido pode ser renovado depois, se a garantia aparecer.

O requerimento não tem taxa própria, porque é pedido feito na peça de defesa. O custo está na garantia, e muda conforme o instrumento escolhido: o depósito em dinheiro imobiliza caixa durante todo o processo; o seguro garantia cobra prêmio e exige renovação enquanto a execução durar; a carta de fiança bancária cobra comissão e consome o limite de crédito que o devedor talvez precise para a safra seguinte; a penhora já existente nada custa, mas raramente cobre o total cobrado. A isso se soma a perícia contábil, quando a relevância da fundamentação depende de demonstrar erro de encargos, e os honorários da defesa. Perder os quinze dias não encerra a discussão, porque matéria de ordem pública ainda cabe por exceção de pré-executividade, mas encerra a chance de suspender a execução por esta via.

Quem decide o efeito suspensivo, e onde a negativa se discute

Quem decide é o juízo da própria execução, a requerimento do embargante, e a decisão que concede ou nega o efeito suspensivo se discute no tribunal, por agravo de instrumento.

A competência é da vara em que a execução corre, que no título extrajudicial segue o foro eleito no contrato ou o domicílio do devedor. É esse juízo que avalia a suficiência da garantia, a relevância da fundamentação e o risco de dano, e é ele que pode revogar o efeito depois, se a garantia se tornar insuficiente. Negado o efeito, o agravo de instrumento sobe ao tribunal do estado: em Mato Grosso do Sul, ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul; em Mato Grosso, ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso. O agravo não suspende a execução por si, e por isso costuma vir acompanhado de pedido de efeito suspensivo ao relator, para que o bem não seja alienado antes do julgamento.

Erros comuns

  • Pedir efeito suspensivo sem garantia e sem explicar o risco
  • Não oferecer seguro garantia ou fiança bancária quando há crédito
  • Embargar tudo e perder a suspensão parcial do controvertido
  • Deixar de agravar da decisão que nega o efeito
  • Não pedir, alternativamente, a não alienação do bem até o julgamento

Conteúdo informativo. Cada caso é avaliado individualmente, a partir do título, dos autos e da situação patrimonial, e nada aqui substitui a análise do caso concreto nem representa promessa de resultado.

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Este conteúdo integra a área de Dívidas e reestruturação.

Conteúdo informativo. Cada caso é avaliado individualmente, a partir dos documentos e das garantias envolvidas, e nada aqui substitui a análise do caso concreto nem representa promessa de resultado.

Perguntas frequentes

Os embargos suspendem a execução?

Não, por regra. Só com efeito suspensivo, concedido pelo juiz quando há garantia suficiente, relevância da fundamentação e risco de dano, pelo artigo 919, § 1º, do CPC.

Posso garantir com seguro?

A jurisprudência admite seguro garantia e fiança bancária como caução para o efeito suspensivo, o que serve a quem tem crédito e não tem caixa.

O efeito suspensivo para tudo?

Para a expropriação. Substituição, reforço e redução da penhora e a avaliação continuam, pelo § 5º. E pode ser parcial, restrito ao controvertido.

O juiz negou o efeito. E agora?

Agravo de instrumento; pedido de não alienação até o julgamento; impenhorabilidade; exceção de pré-executividade para vício de ordem pública; e negociação.

Como se demonstra a relevância da fundamentação dos embargos?

A relevância se demonstra com o que já instrui a peça: documentos, planilha de recálculo e jurisprudência sobre a tese sustentada. É a probabilidade de acolhimento dos embargos, e não a simples afirmação de que a dívida está errada.

O bem já penhorado serve de garantia para a suspensão?

A penhora existente serve de garantia quando o valor avaliado cobre a execução; cobrindo apenas parte, a jurisprudência admite efeito suspensivo parcial. É o requisito que mais falta, porque o bem penhorado raramente alcança o total cobrado.

O que conta como risco de dano grave?

Conta o prejuízo que a execução causaria antes do julgamento dos embargos: bem essencial à atividade prestes a ser expropriado, leilão iminente, situação que depois não se reverteria. Esse risco se descreve com fatos, não com adjetivos.

A suspensão já concedida pode ser cassada depois?

O efeito suspensivo pode ser modificado ou revogado a qualquer tempo, pelo § 2º do artigo 919 do CPC, se as circunstâncias mudarem, como a garantia que se torna insuficiente depois de concedida.

Retrato de Rômulo Almeida Carneiro

Responsável pelo conteúdo

Rômulo Almeida Carneiro

OAB/MS 15.746, sócio-fundador e administrador judicial credenciado pela TMA Brasil.

Publicado em · Revisado em · 7 min de leitura
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