Efeito suspensivo dos embargos
Quando o juiz concede.
É a ação do devedor contra a execução. Cabe tudo, em quinze dias, e a garantia só importa para suspender.
Embargos à execução são a ação pela qual o devedor discute a execução de título extrajudicial: cabem em quinze dias da juntada do mandado de citação, não dependem de penhora nem de garantia, e admitem qualquer matéria de defesa. Só suspendem a execução com efeito suspensivo, que exige garantia, relevância e risco de dano.
Resumo
O art. 915 do Código de Processo Civil fixa o prazo de quinze dias para os embargos, contado da juntada aos autos do mandado de citação, e não da citação em si; quando há mais de um executado, o prazo é individual, salvo cônjuges ou companheiros. O art. 914, § 1º do Código de Processo Civil dispõe que os embargos serão oferecidos independentemente de penhora, depósito ou caução, o que afastou a exigência antiga de garantir para embargar. São distribuídos por dependência, autuados em apartado e instruídos com os documentos da defesa, porque a prova documental é a que costuma decidir. O devedor que perdeu o prazo não embarga mais, mas conserva a exceção de pré-executividade para as matérias de ordem pública e, no cumprimento de sentença, a impugnação. O contexto da execução está em defesa em execução.
O art. 917 do Código de Processo Civil lista as matérias: inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação; penhora incorreta ou avaliação errônea; excesso de execução ou cumulação indevida de execuções; retenção por benfeitorias necessárias ou úteis; incompetência do juízo; e qualquer matéria que seria lícito deduzir como defesa em processo de conhecimento. A cláusula final abre a porta para discutir os encargos da dívida bancária e rural: juros acima do permitido para cédulas rurais, capitalização não pactuada, comissão de permanência cumulada, tarifas indevidas. O excesso de execução, definido no parágrafo segundo, exige que o embargante declare na petição o valor que entende correto, com demonstrativo, pelo parágrafo terceiro; sem isso, os embargos são rejeitados liminarmente ou não conhecidos nessa parte. A conta dos encargos rurais está no artigo sobre juros e encargos no crédito rural.
Os embargos, por regra, não suspendem a execução: o art. 919 do Código de Processo Civil diz isso, e o parágrafo primeiro permite ao juiz atribuir efeito suspensivo, a requerimento do embargante, quando verificados os requisitos para a tutela provisória, relevância da fundamentação e risco de dano grave ou de difícil reparação, e desde que a execução já esteja garantida por penhora, depósito ou caução suficientes. Os três requisitos são cumulativos, e a garantia é o que costuma faltar. O efeito suspensivo pode ser parcial, restrito à parte controvertida, e a execução prossegue quanto ao incontroverso. Mesmo sem efeito suspensivo, o juiz costuma não permitir a alienação do bem penhorado enquanto os embargos pendem, para não gerar situação irreversível, mas isso depende de pedido. O tema do efeito está no artigo sobre efeito suspensivo dos embargos.
O art. 918 do Código de Processo Civil manda rejeitar liminarmente os embargos intempestivos, os que não indicam o valor no excesso e os manifestamente protelatórios, e o parágrafo único considera conduta atentatória à dignidade da justiça o oferecimento de embargos protelatórios, com a multa de até vinte por cento do art. 774 do Código de Processo Civil. Embargos rejeitados ou improcedentes não impedem o prosseguimento, e a sentença que os julga é apelável, em regra sem efeito suspensivo. Embargos procedentes extinguem ou reduzem a execução e condenam o exequente em honorários. Entre um extremo e outro, a maioria dos embargos de dívida bancária termina em redução do valor e em acordo, e é assim que se usa: para depurar a dívida antes de negociar, como se descreve em renegociação de dívida empresarial.
| Ponto | Regra |
|---|---|
| Prazo | 15 dias da juntada do mandado de citação (art. 915) |
| Garantia para opor | Não exigida (art. 914, § 1º) |
| Matérias | Art. 917: título, penhora, excesso, retenção, competência e qualquer defesa |
| Excesso de execução | Indicar o valor correto com demonstrativo (art. 917, § 3º) |
| Efeito suspensivo | Garantia + relevância + risco de dano (art. 919, § 1º) |
| Rejeição liminar | Intempestivos, sem valor no excesso, protelatórios (art. 918) |
| Multa por protelação | Até 20% do valor da execução (art. 774) |
| Recurso da sentença | Apelação, em regra sem efeito suspensivo |
Os embargos à execução são a defesa mais ampla, e justamente por isso não são sempre a escolha certa. Eles admitem qualquer matéria, inclusive a que depende de perícia contábil, mas exigem prazo de quinze dias contados da juntada do mandado e, para suspender a execução, garantia do juízo. A exceção de pré-executividade não tem prazo nem exige garantia, e é uma simples petição nos autos, porém só alcança matéria conhecível de ofício e provada por documento, como prescrição, ilegitimidade, falta de título ou pagamento comprovado. O parcelamento do artigo 916 do Código de Processo Civil não é defesa: depende de depósito no prazo dos embargos e implica renúncia ao direito de embargar, de modo que é incompatível com a discussão do valor. Na prática, a escolha segue o cálculo. Havendo vício de ordem pública evidente, a exceção vem primeiro, porque pode encerrar a execução antes da penhora. Havendo tese que reduz o valor e depende de prova, embargam-se dentro do prazo. Perdido o prazo, restam a exceção para o que ela comporta, as impenhorabilidades e a negociação com a dívida depurada.
Os embargos à execução são julgados pelo mesmo juízo que processa a execução, a que se apensam por distribuição por dependência. Esse juízo é, na execução de título extrajudicial, a vara cível da comarca indicada pelo foro eleito no contrato ou, na falta de eleição válida, a do domicílio do executado; quando o pedido envolve direito real sobre imóvel, a competência é do foro da situação do imóvel. Não há vara especializada em embargos, e o fato de o título ser cédula bancária ou rural não desloca a competência para a Justiça Federal nem para o juízo onde o credor tem sede. Dois deslocamentos importam na prática. O primeiro: se o executado está em recuperação judicial, os atos de constrição passam a ser avaliados pelo juízo da recuperação, que é o do principal estabelecimento do devedor, embora os embargos continuem no juízo da execução. O segundo: a penhora de ativos financeiros é determinada pelo próprio juízo da execução, pelo sistema mantido pelo Conselho Nacional de Justiça. Da sentença que julga os embargos cabe apelação, dirigida ao tribunal de justiça do estado.
Os embargos à execução em Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso chegam, na maioria dos casos, de cédula de crédito rural ou de Cédula de Produto Rural, e isso define as teses que costumam valer. A primeira é o excesso de execução por encargos, que exige demonstrativo e indicação do valor que o devedor entende correto, sem o que os embargos são rejeitados nessa parte. A segunda é a impenhorabilidade da pequena propriedade rural trabalhada pela família, cujo limite de quatro módulos fiscais varia por município: pela tabela de índices básicos do INCRA, o módulo fiscal vai de 15 a 110 hectares em Mato Grosso do Sul e de 30 a 100 em Mato Grosso, de modo que conferir o município antes de alegar é o primeiro passo. A terceira é a penhora sobre bem essencial à atividade, que se combate pela regra da menor onerosidade. Pesa ainda a dispersão: o mesmo grupo familiar pode responder a execuções em comarcas diferentes, às vezes nos dois estados, sobre o mesmo patrimônio. O escritório tem sede em Dourados e atua em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.
Análise do título, recálculo da dívida com os encargos permitidos, redação dos embargos com o valor indicado, pedido de efeito suspensivo quando há garantia e risco, e uso da redução obtida como base da negociação.
Cada caso possui particularidades próprias e deve ser avaliado individualmente, considerando o perfil de endividamento e os credores envolvidos. Este conteúdo é informativo e não substitui a análise do caso concreto.
Não. Os embargos são oferecidos independentemente de penhora, depósito ou caução, pelo artigo 914, § 1º, do CPC.
Só com efeito suspensivo, que exige garantia do juízo, relevância da alegação e risco de dano grave, pelo artigo 919, § 1º.
Os embargos são rejeitados liminarmente nessa parte, pelo artigo 917, § 3º. O valor correto e o demonstrativo são obrigatórios.
Sim, se os embargos forem manifestamente protelatórios: até vinte por cento do valor da execução, pelo artigo 774.
Restam a exceção de pré-executividade, para matérias de ordem pública sem prova, as impenhorabilidades e a negociação.
Os embargos admitem qualquer matéria, inclusive a que depende de perícia contábil, mas exigem prazo de quinze dias e, para suspender a execução, garantia do juízo. A exceção não tem prazo nem exige garantia, e só alcança matéria conhecível de ofício e provada por documento. O parcelamento do artigo 916 não é defesa: depende de depósito no prazo dos embargos e implica renúncia ao direito de embargar.
Os embargos são distribuídos por dependência, autuados em apartado e instruídos com os documentos da defesa, porque a prova documental é a que costuma decidir. Alegando excesso de execução, a petição precisa declarar o valor que o embargante entende correto, com demonstrativo, pelo artigo 917, parágrafo 3º.
Os embargos são julgados pelo mesmo juízo que processa a execução, a que se apensam por distribuição por dependência: na execução de título extrajudicial, a vara cível da comarca indicada pelo foro eleito no contrato ou, na falta de eleição válida, a do domicílio do executado. O fato de o título ser cédula bancária ou rural não desloca a competência para a Justiça Federal, e da sentença cabe apelação ao tribunal de justiça do estado.
Três aparecem com regularidade: o excesso de execução por encargos, que exige demonstrativo e indicação do valor que o devedor entende correto; a impenhorabilidade da pequena propriedade rural trabalhada pela família, cujo limite de quatro módulos fiscais varia por município, com o módulo indo de 15 a 110 hectares em Mato Grosso do Sul e de 30 a 100 em Mato Grosso pela tabela do INCRA; e a penhora sobre bem essencial à atividade, que se combate pela regra da menor onerosidade.
OAB/MS 15.746, sócio-fundador e administrador judicial credenciado pela TMA Brasil.
Publicado em · Revisado em · 9 min de leituraQuando o juiz concede.
Para quem perdeu o prazo.
O conjunto das defesas.
Descreva a situação e a equipe da CFH faz a primeira leitura do cenário, do passivo e das garantias envolvidas.