Parceria agrícola e pecuária
O regime da parceria.
Combinar a parceria de ano em ano é prática corrente e juridicamente frágil. O parceiro que plantou uma safra tem, pela lei, três.
O prazo mínimo da parceria rural é de três anos em todos os casos, pelo artigo 13, inciso II, alínea "a", do Decreto 59.566/1966, que trata a parceria de forma unificada, sem a distinção por exploração que faz no arrendamento. Ajuste por uma safra não é inválido: ele se prorroga até o mínimo legal, e o cedente descobre isso quando pretende dispor da área.
Resumo
A prática de combinar parceria de safra em safra nasce da conveniência recíproca: o cedente quer liberdade para rever a cota, o parceiro quer testar a área. A norma, porém, fixa três anos como piso, e o piso não é afastado por acordo das partes. O efeito prático aparece no segundo ano, quando o cedente quer mudar de parceiro ou plantar por conta própria e descobre que a área continua comprometida por mais um ciclo, nas condições anteriores.
O prazo mínimo protege quem investe na terra sem ser dono dela. Correção de solo, controle de invasoras, adequação de cercas e estradas são investimentos cujo retorno não cabe numa safra. Sem piso, o cedente poderia receber a área melhorada e trocar de parceiro no ano seguinte, apropriando-se do investimento alheio. É a mesma lógica que sustenta o prazo mínimo do arrendamento rural, escalonado conforme a exploração, e a indenização de benfeitorias.
| Exploração | Arrendamento | Parceria |
|---|---|---|
| Lavoura temporária | 3 anos | 3 anos |
| Pecuária de pequeno e médio porte | 3 anos | 3 anos |
| Lavoura permanente | 5 anos | 3 anos |
| Pecuária de grande porte | 5 anos | 3 anos |
| Exploração florestal | 7 anos | 3 anos |
Os prazos do arrendamento vêm do mesmo artigo 13 do Decreto 59.566/1966, e a comparação completa entre os dois contratos está em parceria ou arrendamento: qual usar.
Quem precisa rever condições a cada safra tem caminhos melhores do que o contrato anual frágil. O primeiro é o contrato de três anos com cláusula de revisão periódica da cota, dentro do teto legal, que dá previsibilidade às duas partes. O segundo é a definição clara das hipóteses de rescisão por descumprimento, que resolve o caso do parceiro que não cumpre o combinado. O terceiro, quando o que se quer mesmo é contratar uma operação e não ceder a terra, é o contrato de prestação de serviço agrícola, que tem outra natureza e não cria prazo mínimo.
O custo de combinar a parceria por uma safra só não aparece no ano da assinatura: ele aparece no segundo ano, quando a área segue comprometida nas condições anteriores e o cedente descobre que não pode dispor dela.
Para o cedente, esse custo tem duas formas: a cota que ele queria rever continua a mesma por mais dois ciclos, e a oportunidade de plantar por conta própria, ou de contratar outro parceiro em condição melhor, fica suspensa. Para o parceiro, o custo é de outra natureza: ele investe em correção de solo, controle de invasoras e adequação de cercas sem ter escrito o ciclo que pretende explorar, e discute depois quanto daquele investimento lhe cabe. E para os dois existe o custo da informalidade: renovação verbal, sem registro das condições de cada ciclo, transfere para a prova oral a definição da cota e do aporte de cada um, que é justamente o ponto que o teto legal mede. O regime da parceria está em parceria agrícola e pecuária.
A prorrogação da parceria até o piso de três anos não depende de decisão do cedente nem de cláusula: ela decorre do artigo 13, inciso II, do Decreto 59.566/1966, que fixa o prazo mínimo e não admite ajuste menor em prejuízo do parceiro.
Quem decide, quando há litígio, é o juízo da comarca onde o imóvel está, e a discussão costuma girar em três pontos: se o contrato é de parceria ou de arrendamento disfarçado, o que se apura pelo que foi efetivamente combinado, e não pelo título do instrumento; se a cota do cedente respeita o teto do aporte declarado; e se houve descumprimento que autorize a rescisão antes do prazo. O contrato pode ser registrado no Registro de Imóveis da circunscrição do imóvel, o que lhe dá publicidade perante terceiros, inclusive perante quem compre a área no curso do ciclo. A comparação entre os dois contratos está em parceria ou arrendamento: qual usar.
O piso de três anos da parceria é nacional e não muda de município para município, e o que muda na região é a medida do imóvel, que decide outras regras aplicáveis à mesma área.
O módulo fiscal e a fração mínima de parcelamento constam da tabela de índices básicos do Sistema Nacional de Cadastro Rural, do INCRA, e variam dentro dos dois estados: em Dourados o módulo é de 30 hectares e a fração mínima, de 2; em Maracaju, 40 e 2; em Querência, 80 e 4; em Sapezal, 100 e 4. A parceria cede o uso e não fraciona a matrícula, de modo que ela não encosta na fração mínima, que é o piso do desmembramento pelo artigo 8º da Lei 5.868/1972. Mas o módulo importa: quatro módulos fiscais é o teto da pequena propriedade rural, e esse teto governa a impenhorabilidade da área trabalhada pela família, o que muda a exposição do imóvel quando o parceiro ou o cedente se endivida, tema de desmembramento e módulo rural.
Conteúdo informativo. Cada caso é avaliado individualmente, a partir dos contratos, da documentação da atividade e da situação de cada safra, e nada aqui substitui a análise do caso concreto nem representa promessa de resultado.
Este conteúdo integra a área de Direito do agronegócio.
Conteúdo informativo. Cada caso é avaliado individualmente, a partir dos documentos e das garantias envolvidas, e nada aqui substitui a análise do caso concreto nem representa promessa de resultado.
Três anos em todos os casos, pelo artigo 13, II, do Decreto 59.566/1966, sem a distinção por tipo de exploração que se aplica ao arrendamento.
Não é inválida. O prazo se prorroga até o mínimo legal de três anos, o que na prática compromete a área por dois ciclos além do combinado.
Pode, se o contrato previr revisão periódica, sempre dentro do teto legal correspondente ao que o cedente aporta.
Aí o contrato é de prestação de serviço agrícola, que tem outra natureza: contrata uma operação, não o uso do imóvel, e não cria prazo mínimo nem direito de preferência.
O prazo mínimo protege quem investe na terra sem ser dono dela: correção de solo, controle de invasoras e adequação de cercas e estradas têm retorno que não cabe numa safra. Sem piso, o cedente receberia a área melhorada e trocaria de parceiro no ano seguinte.
Na parceria o piso é de três anos em qualquer exploração. No arrendamento ele é escalonado: três anos para lavoura temporária e para pecuária de pequeno e médio porte, cinco para lavoura permanente e para pecuária de grande porte, e sete para exploração florestal.
O piso de prazo não obriga a suportar descumprimento: o contrato deve definir com clareza as hipóteses de rescisão por inadimplemento, e é por elas que a situação se resolve. Definir isso na assinatura custa menos do que discutir depois.
A cota do cedente na parceria tem teto legal, que varia conforme o que ele aporta além da terra. Cota acima do teto do aporte declarado é um dos defeitos mais comuns desses contratos.
OAB/MS 19.237, advogado e administrador judicial credenciado pela TMA Brasil.
Publicado em · Revisado em · 7 min de leituraO regime da parceria.
A escolha entre os dois.
O conjunto dos contratos de uso da terra.
Descreva a situação e a equipe da CFH faz a primeira leitura do cenário, do passivo e das garantias envolvidas.