Imóvel em garantia
O que o proprietário ainda pode fazer.
Imóvel dado em garantia não entra na holding por vontade da família. Entra com a anuência do credor, ou não entra.
Imóvel hipotecado pode ser transferido à holding, mas o contrato costuma prever vencimento antecipado, e o credor precisa anuir. Imóvel em alienação fiduciária não pode ser transferido: a propriedade é do credor até a quitação, e o devedor só tem direitos, cuja cessão depende de anuência. A conversa com o banco vem antes do contrato social.
Resumo
O art. 1.475 do Código Civil declara nula a cláusula que proíbe o proprietário de alienar o imóvel hipotecado, e permite que o contrato preveja o vencimento antecipado do crédito se o imóvel for alienado. Na prática, quase todo contrato de financiamento rural e empresarial prevê o vencimento antecipado. A integralização do imóvel hipotecado na holding é alienação: registra-se, porque a hipoteca acompanha o bem e o credor continua garantido, mas o banco pode exigir o pagamento integral. O caminho é a anuência prévia: o credor concorda com a transferência, em geral mediante a assunção da dívida pela sociedade, o aval dos sócios ou a substituição da garantia. Sem anuência, a família troca uma holding por um vencimento antecipado. O funcionamento da hipoteca está em imóvel em garantia.
Na alienação fiduciária da Lei 9.514/1997, a propriedade do imóvel é transferida ao credor em garantia, e o devedor fica com a posse direta e a expectativa de reaver o bem na quitação. O devedor não pode integralizar na holding um imóvel que não é dele. O que ele tem são os direitos de fiduciante, que podem ser cedidos com anuência do credor, pelo art. 29 da Lei 9.514/1997, e nesse caso a holding assume a posição do devedor no contrato, com as obrigações que ele tinha. Muitos bancos recusam a cessão a pessoa jurídica constituída para esse fim, ou a condicionam a nova análise de crédito. A alternativa é quitar ou refinanciar com outra garantia antes da integralização, ou deixar o imóvel de fora até a quitação, aumentando o capital depois. A diferença entre as garantias está no artigo sobre hipoteca, penhor e alienação fiduciária.
Constituída a holding, a terra não é mais do produtor, e o banco analisa duas pessoas: a sociedade proprietária, que pode dar a terra em hipoteca com aprovação dos sócios conforme o contrato social, e o produtor arrendatário, que toma o crédito de custeio e investimento com garantias sobre a safra, as máquinas e o aval. O enquadramento do produtor nas linhas do Manual de Crédito Rural pode mudar, e alguns programas exigem que a terra esteja em nome do beneficiário. A holding que dá a terra em garantia de dívida do sócio produtor é garantidora de dívida alheia, e o contrato social e o acordo de sócios precisam prever quem aprova isso e em que condições, porque os demais sócios estão arriscando o patrimônio comum pela atividade de um. O tema do crédito está em garantias do crédito rural.
| Garantia existente | Pode integralizar? | Condição | Risco |
|---|---|---|---|
| Hipoteca | Sim | Anuência do credor | Vencimento antecipado sem anuência |
| Alienação fiduciária | Não o imóvel; só os direitos | Anuência do credor à cessão | Recusa do banco; nova análise |
| Penhor de safra ou máquinas | Não afeta a terra | Manter o penhor no produtor | Nenhum sobre o imóvel |
| Cédula rural com hipoteca | Sim | Anuência; assunção ou substituição | Vencimento antecipado |
| Sem garantia real | Sim | Não constituir com dívida vencida | Fraude contra credores |
O banco anui à entrada do imóvel na holding quando a garantia continua suficiente e identificada, o que em geral exige a assunção da dívida pela sociedade, o aval dos sócios ou a substituição do bem gravado.
Os requisitos costumam ser três. O cadastral: sociedade constituída, com contrato social arquivado, cadastro regular e sócios identificados, porque é ela que passará a figurar como proprietária ou como devedora. O documental: matrícula atualizada, certidão de ônus, demonstrativo do saldo devedor e, em imóvel rural, os cadastros do bem e o georreferenciamento. E o de crédito: o banco reanalisa a operação, porque o patrimônio e a renda que a garantiam mudaram de titular. Quanto ao custo, soma-se o da averbação ou do novo registro na matrícula, pela tabela de emolumentos do estado, o do aditivo contratual e, quando o caminho é a substituição da garantia, o de constituir o gravame novo e cancelar o antigo. Há instituições que cobram tarifa própria de análise, e ela consta da proposta.
Quem decide a anuência é o credor, pelas suas alçadas internas, e a garantia se registra na matrícula do imóvel, no cartório da circunscrição em que o bem está situado.
A decisão não é do gerente da agência: passa por alçada e por comitê, o que explica o tempo de resposta e a importância de formular o pedido por escrito. Obtida a anuência, o ato segue para o cartório, que averba a transferência mantendo o gravame, e a Junta Comercial arquiva a alteração do contrato social correspondente. Em Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso, a família com áreas em municípios diferentes repete esse percurso por circunscrição, com tabelas de emolumentos estaduais distintas e, em imóvel rural, com a certificação do georreferenciamento tramitando na superintendência do INCRA do estado da fazenda. Havendo litígio, a execução da hipoteca corre no foro da situação do bem, enquanto a excussão da alienação fiduciária é conduzida pelo oficial do registro de imóveis.
A holding é uma estrutura societária, não um mecanismo de proteção contra credores. Constituí-la ou transferir bens para ela em cenário de endividamento pode ser questionado judicialmente. Efeitos tributários variam conforme a estrutura e a legislação estadual e municipal, e devem ser avaliados junto a profissional contábil antes de qualquer decisão.
Este conteúdo integra a área de Holding familiar e patrimonial.
Conteúdo informativo. Cada caso é avaliado individualmente, a partir dos documentos e das garantias envolvidas, e nada aqui substitui a análise do caso concreto nem representa promessa de resultado.
Pode ser transferido, e a hipoteca o acompanha. Mas o contrato costuma prever vencimento antecipado da dívida em caso de alienação, e o credor precisa anuir.
O imóvel, não: a propriedade é do credor até a quitação. Os direitos do devedor podem ser cedidos à holding com anuência do credor, que muitos bancos recusam.
Pode, se o contrato social permitir e os sócios aprovarem. É garantia de dívida alheia, e os demais sócios arriscam o patrimônio comum.
Não necessariamente, mas a análise muda: a terra não é mais dele, as garantias passam a ser outras, e alguns programas exigem a terra em nome do beneficiário.
A anuência costuma vir mediante assunção da dívida pela sociedade, aval dos sócios ou substituição da garantia, e passa por nova análise de crédito. A conversa com o banco vem antes do contrato social.
Deixar o imóvel financiado de fora é o caminho usual quando o credor não anui: o bem permanece na pessoa física e o capital é aumentado depois da quitação ou do refinanciamento com outra garantia. Integralizar em etapas é preferível a provocar o vencimento antecipado.
OAB/MS 20.674, sócio nominal e administrador judicial certificado pela TMA Brasil.
Publicado em · Revisado em · 7 min de leituraO que o proprietário ainda pode fazer.
O contrato que o banco pede.
As garantias depois da holding.
Descreva a situação e a equipe da CFH faz a primeira leitura do cenário, do passivo e das garantias envolvidas.