CFH Advogados, Carneiro, Fernandes & Hammarstrom

Documentos do pedido de recuperação do produtor rural

A petição é curta. O que decide o deferimento são os anexos, e eles levam meses para existir.

O pedido de recuperação judicial se instrui com os documentos do artigo 51 da Lei 11.101/2005: exposição das causas da crise, demonstrações contábeis dos três últimos exercícios, relação nominal de credores, relação de bens dos sócios, extratos bancários, certidões e relação de ações. No campo, somam-se os documentos que provam a atividade.

Resumo

  • A sequência que funciona começa pelo passivo: levantar todos os contratos, cédulas, CPRs e execuções, e classificar cada crédito como sujeito ou não sujeito, porque isso define o tamanho real do problema, o critério está em barter e alienação fiduciária.
  • O juízo verifica a regularidade da documentação e, nos pedidos de produtor rural, determina a constatação prévia com visita ao local, descrita em perícia prévia do produtor rural.
  • Pode pedir recuperação judicial o produtor rural que exerce a atividade de forma empresarial há mais de dois anos e está inscrito na Junta Comercial na data do protocolo, e são os documentos que provam as duas coisas.
  • Montar o pedido custa contabilidade e assessoria antes do protocolo; depois dele somam-se as custas judiciais e a remuneração do administrador judicial, e a vara competente é a do principal estabelecimento do devedor.

O art. 51 da Lei 11.101/2005 exige, entre outros: a exposição das causas concretas da situação patrimonial e das razões da crise; as demonstrações contábeis dos três últimos exercícios e as levantadas especialmente para o pedido, incluindo balanço patrimonial, demonstração de resultados e de fluxo de caixa; a relação nominal completa dos credores, com endereço, natureza, classificação e valor atualizado do crédito, discriminando origem e vencimento; a relação integral dos empregados; certidão de regularidade no Registro Público de Empresas; a relação de bens particulares dos sócios controladores e administradores; os extratos das contas bancárias e de aplicações; certidões de protesto; e a relação das ações judiciais em que o devedor figure como parte. A relação de credores é a peça mais sensível: define quem vota e por quanto, como se vê em assembleia de credores.

O que o produtor rural acrescenta

O que o produtor rural acrescenta
DocumentoFunção no pedido
Livro Caixa Digital do Produtor Rural (LCDPR)Escrituração da atividade; padrão de confiabilidade exigido
Declaração de imposto de renda com anexo da atividade ruralReceita e despesa por exercício; prova do tempo de atividade
Notas fiscais de venda da produçãoContinuidade e escala da comercialização
Inscrição na Junta ComercialRequisito de acesso, na data do pedido (Tema 1.145)
Matrícula, CCIR, ITR e CARTitularidade, cadastro e regularidade ambiental da área
Contratos de arrendamento ou parceriaÁrea explorada que não é própria
Cédulas rurais, CPRs e contratos de barterPassivo e separação do que não se sujeita
Contratos de alienação fiduciária de maquinárioBens de capital e credores fora do plano
Apólices de seguro agrícola e ProagroCobertura de frustração de safra
Projeção de safra e custo de produçãoBase da viabilidade e do plano

A ordem de montagem

A sequência que funciona começa pelo passivo: levantar todos os contratos, cédulas, CPRs e execuções, e classificar cada crédito como sujeito ou não sujeito, porque isso define o tamanho real do problema, o critério está em barter e alienação fiduciária. Depois vem a contabilidade: fechar os exercícios, levantar as demonstrações especiais e obter a assinatura do profissional habilitado. Em paralelo, reunir a prova da atividade dos últimos anos e regularizar o que estiver pendente na área, como CAR e CCIR. Só então se escreve a exposição das causas da crise, que é narrativa, mas precisa bater com os números. E antes do protocolo, confere-se a inscrição na Junta Comercial, sem a qual o pedido não é admitido, pelo Tema 1.145.

O que acontece depois do protocolo

O juízo verifica a regularidade da documentação e, nos pedidos de produtor rural, determina a constatação prévia com visita ao local, descrita em perícia prévia do produtor rural. Deferido o processamento, começam os efeitos: suspensão das execuções por cento e oitenta dias, nomeação do administrador judicial, publicação do edital com a relação de credores e o prazo de quinze dias para habilitações e divergências. E começa a contar o prazo de sessenta dias para o plano, que precisa chegar pronto, com laudo de viabilidade, como se detalha em plano de recuperação judicial.

Quem pode pedir, e o que os documentos precisam provar

Pode pedir recuperação judicial o produtor rural que exerce a atividade de forma empresarial há mais de dois anos e está inscrito na Junta Comercial na data do protocolo, e são os documentos que provam as duas coisas.

O requisito de tempo está no artigo 48 da Lei 11.101/2005, e o Tema 1.145 do STJ fixou que os dois anos se contam da atividade exercida, e não do tempo de registro, que precisa apenas existir quando o pedido é formalizado. Daí a divisão de trabalho entre os anexos: a inscrição na Junta Comercial responde pelo acesso; a escrituração, a declaração de imposto de renda com anexo da atividade rural e as notas de venda respondem pelo biênio; a matrícula, o CCIR, o ITR e o CAR respondem pela base física e pela regularidade da área; os contratos de arrendamento e de parceria respondem pela área explorada que não é própria. Documento que prova titularidade não prova atividade, e esse é o engano mais frequente: pedido instruído só com matrículas e cédulas não demonstra exploração contínua. O que falta não se supre com argumento, e sim com emenda, que consome o tempo de quem já está em crise.

Quanto custa montar o pedido, e em que vara ele é protocolado

Montar o pedido custa contabilidade e assessoria antes do protocolo; depois dele somam-se as custas judiciais e a remuneração do administrador judicial, e a vara competente é a do principal estabelecimento do devedor.

Antes do protocolo, a despesa é de fechar os exercícios e levantar as demonstrações com profissional habilitado, de regularizar CAR, CCIR e ITR quando há pendência e de assessoria para classificar o passivo credor por credor. Depois do deferimento entram as custas conforme o valor atribuído à causa, o laudo de viabilidade que acompanha o plano e a remuneração do administrador judicial, limitada por lei a cinco por cento do valor devido aos credores, e a dois por cento no caso de microempresa e de empresa de pequeno porte. A competência é do juízo do local do principal estabelecimento do devedor, e tanto em Mato Grosso do Sul quanto em Mato Grosso recuperação e falência correm em varas regionais, de modo que o município da fazenda não é necessariamente o da vara: a distribuição município por município está em onde se pede recuperação judicial.

Erros comuns

  • Relacionar credores com valores desatualizados ou classificação errada
  • Apresentar demonstrações sem assinatura de profissional habilitado
  • Esquecer as execuções em curso na relação de ações
  • Omitir contratos de barter e CPR física por não serem 'do banco'
  • Deixar CAR, CCIR ou ITR irregulares para resolver depois

Conteúdo informativo. Cada caso é avaliado individualmente, a partir da documentação da atividade, do perfil do passivo e do juízo competente, e nada aqui substitui a análise do caso concreto nem representa promessa de resultado.

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Este conteúdo integra a área de Recuperação judicial do produtor rural.

Conteúdo informativo. Cada caso é avaliado individualmente, a partir dos documentos e das garantias envolvidas, e nada aqui substitui a análise do caso concreto nem representa promessa de resultado.

Perguntas frequentes

Quais documentos a lei exige no pedido?

Os do artigo 51 da Lei 11.101: exposição das causas da crise, demonstrações contábeis dos três últimos exercícios, relação de credores e de empregados, relação de bens dos sócios, extratos, certidões e relação de ações.

O que o produtor rural apresenta além disso?

A prova da atividade: escrituração do produtor, declaração de imposto de renda com anexo rural, notas de venda, inscrição na Junta Comercial, e os documentos da área, matrícula, CCIR, ITR e CAR.

Quanto tempo leva para montar o pedido?

O prazo para montar o pedido depende do estado da contabilidade. Com escrituração em dia, semanas; sem ela, meses, porque as demonstrações precisam existir antes do protocolo.

O que acontece se faltar documento?

O juízo pode determinar a emenda. A falta persistente leva ao indeferimento do processamento.

Por onde se começa a montagem do pedido?

A sequência que funciona começa pelo passivo: levantar contratos, cédulas, CPRs e execuções e classificar cada crédito como sujeito ou não sujeito, porque isso define o tamanho real do problema. Depois vem a contabilidade e, só então, a exposição das causas da crise, que precisa bater com os números.

Por que a relação de credores é a peça mais sensível?

A relação nominal de credores define quem vota na assembleia e por quanto, com endereço, natureza, classificação e valor atualizado de cada crédito, discriminando origem e vencimento. Valor desatualizado ou classificação errada reaparece na votação e nas impugnações.

Preciso regularizar CAR, CCIR e ITR antes de protocolar?

A regularização da área entra na preparação, e não depois: matrícula, CCIR, ITR e CAR demonstram a base física e a regularidade da exploração. Pendência deixada para resolver depois do protocolo é justamente o que a verificação encontra.

O que acontece logo depois do protocolo?

Nos pedidos de produtor rural, o juízo determina a constatação prévia com visita ao local antes de decidir o processamento. Deferido o processamento, suspendem-se as execuções, nomeia-se o administrador judicial, publica-se o edital com a relação de credores e passa a correr o prazo de sessenta dias para o plano.

Retrato de Rômulo Almeida Carneiro

Responsável pelo conteúdo

Rômulo Almeida Carneiro

OAB/MS 15.746, sócio-fundador e administrador judicial credenciado pela TMA Brasil.

Publicado em · Revisado em · 7 min de leitura
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