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Administrador judicial: o que ele faz e o que vai pedir a você

Ele não administra a empresa, mas escreve todo mês o documento que o juiz e os credores leem para saber se ela vai bem.

O administrador judicial é auxiliar do juízo, nomeado no deferimento do processamento. Pelo artigo 22 da Lei 11.101/2005, fiscaliza as atividades do devedor e o cumprimento do plano, verifica os créditos e consolida a relação, apresenta relatório mensal de atividades e preside a assembleia geral de credores. Ele não administra a empresa.

Resumo

  • A empresa que trata o relatório mensal como obrigação burocrática costuma pagar caro: é dele que saem as informações que os credores usam para votar e que o juiz usa para decidir pedidos de afastamento, autorização de venda de ativo e prorrogação de prazos.
  • A verificação dos créditos é a função mais delicada.
  • Quem nomeia o administrador judicial é o juiz, na própria decisão que defere o processamento da recuperação, e a escolha não cabe ao devedor nem aos credores.

O papel

O art. 22 da Lei 11.101/2005 distribui as atribuições do administrador judicial em três frentes: as comuns à recuperação e à falência, como enviar correspondência aos credores, fornecer informações, dar extratos dos livros e exigir dos credores e do devedor as informações necessárias; as próprias da recuperação, entre elas fiscalizar as atividades do devedor e o cumprimento do plano, requerer a falência no caso de descumprimento, apresentar relatório mensal de atividades e relatório sobre a execução do plano; e as da falência. Ele é auxiliar do juízo, não gestor: a administração continua com o devedor, salvo afastamento por uma das hipóteses do art. 64 da Lei 11.101/2005, como prática de ato fraudulento ou descumprimento do plano. A relação prática, por isso, é de prestação de contas contínua.

O que ele vai pedir, e em que prazo

O que ele vai pedir, e em que prazo
MomentoO que o administrador judicial pedePara quê
Logo após a nomeaçãoContratos, livros contábeis, relação analítica do passivo, extratosVerificação de créditos e primeiro relatório
Durante o prazo de habilitaçãoDocumentos que confirmem cada crédito divergenteConsolidar a relação do art. 7º, § 2º
MensalmenteBalancete, movimentação bancária, faturamento, folha, tributosRelatório mensal de atividades
Antes da assembleiaLista de presença, procurações, documentos do planoCondução dos trabalhos
Após a concessãoComprovantes de pagamento das parcelas do planoRelatório sobre a execução do plano
A qualquer tempoEsclarecimentos sobre operações relevantesFiscalização

A empresa que trata o relatório mensal como obrigação burocrática costuma pagar caro: é dele que saem as informações que os credores usam para votar e que o juiz usa para decidir pedidos de afastamento, autorização de venda de ativo e prorrogação de prazos.

Verificação de créditos

A verificação dos créditos é a função mais delicada. Publicado o edital com a relação apresentada pelo devedor, os credores têm quinze dias para apresentar habilitações ou divergências ao administrador judicial, que analisa e publica a sua relação consolidada, com prazo para impugnações judiciais. É esse trabalho que define quem vota, em que classe e por qual valor, e, portanto, o resultado da assembleia. O procedimento e as defesas estão em habilitação e impugnação de crédito, e o efeito na votação em assembleia de credores. O administrador também se manifesta sobre a natureza concursal ou extraconcursal de créditos controvertidos, tema de crédito concursal e extraconcursal.

Quanto custa o administrador judicial, e quando ele é substituído

O art. 24 da Lei 11.101/2005 manda o juiz fixar o valor e a forma de pagamento da remuneração do administrador judicial, observados a capacidade de pagamento do devedor, o grau de complexidade do trabalho e os valores praticados no mercado, com o teto de cinco por cento do valor devido aos credores submetidos à recuperação, reduzido a dois por cento nas recuperações de microempresas e empresas de pequeno porte. A remuneração é despesa do processo, paga pelo devedor, e costuma ser parcelada ao longo dele, com parte reservada para depois da aprovação das contas. O administrador pode ser substituído por renúncia, destituição por desídia ou descumprimento de deveres, e essa discussão, quando aparece, costuma sinalizar conflito maior no processo, cujo desfecho pode ser o do artigo 73, descrito em convolação em falência.

Quem nomeia o administrador judicial, e como se trata com ele

Quem nomeia o administrador judicial é o juiz, na própria decisão que defere o processamento da recuperação, e a escolha não cabe ao devedor nem aos credores.

A nomeação é ato do juízo, e é por isso que o administrador judicial responde ao juiz, e não a quem o paga. A relação prática com ele é documental e tem forma: pedidos de informação chegam por ofício ou por mensagem com prazo, e a resposta se faz por escrito, com o documento anexado, para que fique nos autos. Operação relevante se informa antes de acontecer, e não quando ele pergunta. Divergência sobre crédito se discute no incidente próprio, e não em discussão informal. Quem o trata como adversário perde a única testemunha técnica que o juiz e os credores leem todo mês. A substituição, por renúncia ou por destituição, também é decidida pelo juízo, e a sua discussão costuma sinalizar conflito maior no processo.

Erros comuns

  • Atrasar a entrega das informações do relatório mensal
  • Tratar o administrador judicial como adversário
  • Não conferir a relação consolidada que ele publica
  • Realizar operação relevante sem informá-lo
  • Ignorar o custo da remuneração no fluxo do plano

Conteúdo informativo. Cada caso é avaliado individualmente, a partir da documentação contábil, do perfil do passivo e do comportamento dos credores, e nada aqui substitui a análise do caso concreto nem representa promessa de resultado.

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Conteúdo informativo. Cada caso é avaliado individualmente, a partir dos documentos e das garantias envolvidas, e nada aqui substitui a análise do caso concreto nem representa promessa de resultado.

Perguntas frequentes

O administrador judicial administra a empresa?

Não. O administrador judicial é auxiliar do juízo e fiscaliza. A administração continua com o devedor, salvo afastamento nas hipóteses do artigo 64.

O que é o relatório mensal de atividades?

O documento em que o administrador judicial informa ao juízo e aos credores a situação do devedor no mês, com base nos dados que a empresa fornece.

Quem paga o administrador judicial?

O devedor. O juiz fixa a remuneração, observado o teto de 5% do valor devido aos credores sujeitos, ou 2% para ME e EPP.

O administrador judicial decide quais créditos entram?

O administrador judicial verifica e consolida a relação de credores. As divergências que persistirem são decididas pelo juiz nas impugnações.

O que ele pede logo depois de nomeado?

Logo após a nomeação, o administrador judicial pede contratos, livros contábeis, relação analítica do passivo e extratos bancários, material da verificação de créditos e do primeiro relatório. Depois disso, a relação passa a ser mensal, com balancete, movimentação bancária, faturamento, folha e tributos.

Por que o relatório mensal importa tanto?

É do relatório mensal que saem as informações que os credores usam para votar e que o juiz usa para decidir pedidos de afastamento, de autorização de venda de ativo e de prorrogação de prazos. Tratá-lo como obrigação burocrática costuma custar caro.

O administrador judicial pode pedir a falência da empresa?

Entre as atribuições do artigo 22 está requerer a falência no caso de descumprimento de obrigação assumida no plano de recuperação. É também ele quem apresenta ao juízo o relatório sobre a execução do plano.

O administrador judicial pode ser trocado?

O administrador judicial pode renunciar e pode ser destituído por desídia ou descumprimento de deveres. Quando essa discussão aparece nos autos, costuma sinalizar um conflito maior do que a troca em si.

Retrato de Edgar A. G. Fernandes

Responsável pelo conteúdo

Edgar A. G. Fernandes

OAB/MS 19.237, advogado e administrador judicial credenciado pela TMA Brasil.

Publicado em · Revisado em · 6 min de leitura
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