Imóvel em garantia
As duas garantias comparadas.
Pode, e o caminho até o leilão é diferente conforme a garantia constituída.
Sim. O imóvel dado em garantia pode ser levado a leilão em caso de inadimplemento. O que muda, e muda bastante, é o caminho: na alienação fiduciária o leilão é extrajudicial e rápido; na hipoteca a expropriação corre no Judiciário, com prazos e defesas próprias.
Resumo
Quando há inadimplemento e o credor aciona a garantia. Na alienação fiduciária, após a notificação e o decurso do prazo para purgar a mora, a propriedade se consolida em nome do credor, que fica obrigado a levar o bem a leilão. Na hipoteca, o credor executa o crédito e a expropriação ocorre dentro do processo.
O imóvel dado em garantia chega ao leilão por caminhos diferentes conforme o gravame constituído, e a comparação abaixo põe lado a lado o que muda entre a alienação fiduciária e a hipoteca.
| Critério | Alienação fiduciária | Hipoteca |
|---|---|---|
| Titularidade durante o contrato | Propriedade resolúvel do credor | Propriedade permanece com o devedor |
| Via de excussão | Extrajudicial, pelo cartório | Judicial, por execução |
| Gatilho | Notificação e prazo para purgar a mora | Ação de execução |
| Velocidade | Curta | Mais longa |
| Momento de reação | Antes do fim do prazo de purgação | Ao longo do processo |
Os prazos e as formalidades do procedimento são requisitos, não detalhes. Notificação irregular, valor exigido em desacordo com o contrato e descumprimento de etapa do rito são pontos que podem ser levados ao Judiciário. Isso não significa que serão acolhidos: significa que precisam ser examinados antes que o prazo se esgote.
Antes da consolidação da propriedade, o espaço para negociar o imóvel dado em garantia é maior. O alongamento de dívida e a renegociação de dívida rural tratam exatamente dessa janela. Depois dela, a discussão passa a ser sobre o procedimento, e não mais sobre o cronograma.
Quando o problema não é um credor, mas o conjunto deles, e o imóvel dado em garantia é apenas um dos bens expostos. A recuperação judicial do produtor rural suspende execuções e reordena o passivo, embora créditos de natureza fiduciária tenham tratamento próprio na lei.
Na alienação fiduciária o procedimento é conduzido pelo oficial do registro de imóveis da situação do bem, e as despesas dele são somadas à dívida, encarecendo o valor que o devedor precisa pagar para manter o imóvel.
Entram nessa conta a intimação, as certidões, o imposto de transmissão que o credor recolhe na consolidação, os prêmios de seguro do contrato, os tributos do imóvel, as cotas de condomínio e as despesas do leilão. É por isso que o custo de recuperar o bem cresce a cada etapa vencida: purgar a mora no prazo da notificação custa o atraso com encargos, e readquirir o imóvel depois da consolidação custa a dívida inteira mais todas essas despesas. Na hipoteca, a expropriação corre em execução judicial, e somam-se custas processuais, honorários e os encargos de mora que a lei e o contrato definem. Em qualquer dos caminhos, o demonstrativo apresentado pelo credor se confere item a item, porque encargo sem base contratual ou legal é valor cobrado a mais.
O devedor que recebeu notificação tem saídas distintas, e a diferença entre elas está no momento e no valor: purgar a mora, renegociar a operação ou readquirir o imóvel depois da consolidação.
| Saída | Até quando | O que se paga | Efeito |
|---|---|---|---|
| Purgação da mora | No prazo indicado na notificação | Parcelas vencidas, encargos e despesas | O contrato continua |
| Renegociação com o credor | Enquanto o credor aceitar negociar | O que for acordado no aditivo | Novo cronograma, com a garantia mantida |
| Reaquisição depois da consolidação | Até a data do segundo leilão | Dívida inteira, encargos, despesas e tributos | Imóvel readquirido e financiamento encerrado |
| Discussão do procedimento | Enquanto houver vício a alegar | Custas e honorários da via escolhida | Pode invalidar a consolidação e o leilão |
As três primeiras são negociais e dependem de caixa; a quarta é litigiosa e depende de vício demonstrável. A ordem de preferência é a do custo: quanto mais cedo o devedor age, menos ele paga, porque cada marco vencido acrescenta despesa e reduz a margem de negociação.
Em Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso, o leilão de imóvel dado em garantia segue as mesmas leis federais, e o que varia é o cartório competente, a tabela de emolumentos e, na fazenda, as exigências do registro rural.
Na alienação fiduciária, o procedimento corre no cartório da circunscrição do imóvel, e quem tem bens em comarcas diferentes enfrenta procedimentos paralelos, com prazos próprios. Na hipoteca executada em juízo, a ação sobre o imóvel corre no foro da situação dele, e não no domicílio do devedor nem na sede do banco. Em imóvel rural, a transmissão ao arrematante depende de CCIR, da declaração do imposto territorial e da certificação do georreferenciamento pelo INCRA, protocolada na superintendência do estado da fazenda, o que costuma atrasar o registro. Para o produtor da região de Dourados com área nos dois estados, cada imóvel tem um procedimento, um prazo e um conjunto de órgãos a acompanhar.
Depois do leilão extrajudicial, o devedor que permaneceu no imóvel ainda deve a taxa de ocupação do artigo 37-A da Lei 9.514/1997, de um por cento do valor do imóvel fixado no contrato, por mês ou fração.
Essa taxa corre da consolidação da propriedade até a imissão na posse do credor ou do adquirente, e é deduzida do saldo que o devedor receberia, ou cobrada dele quando não há saldo. Somam-se os tributos do imóvel e as cotas de condomínio do período, as despesas do procedimento e o imposto de transmissão que o credor recolheu na consolidação. Se o lance do segundo leilão não cobre a dívida e as despesas, a lei considera extinta a dívida e o credor fica com o imóvel, sem saldo a entregar e sem diferença a cobrar. Havendo sobra, ela é do devedor, e o demonstrativo das deduções se confere item a item, porque encargo sem base contratual ou legal é valor retido indevidamente.
A validade do leilão de imóvel dado em garantia se discute no juízo competente conforme a via: na alienação fiduciária, por ação própria do devedor; na hipoteca executada, dentro da própria execução.
No procedimento extrajudicial não há juiz acompanhando os atos: o oficial do registro de imóveis conduz a intimação, a consolidação e o leilão, e quem pretende impugnar precisa ir ao Judiciário por iniciativa própria, com pedido de tutela para suspender o que estiver em curso. Na execução judicial da hipoteca, a impugnação corre nos autos, com os prazos do processo. A ação sobre o imóvel corre no foro da situação dele, e o documento que sustenta a discussão é a certidão do procedimento no cartório, que mostra as tentativas de intimação uma a uma. Vício de intimação é o fundamento mais frequente, e por isso essa certidão é o primeiro documento a pedir.
Este conteúdo integra a área de Dívidas e reestruturação.
Conteúdo informativo. Cada caso é avaliado individualmente, a partir dos documentos e das garantias envolvidas, e nada aqui substitui a análise do caso concreto nem representa promessa de resultado.
Não impede por si só. Na alienação fiduciária, a consolidação da propriedade e o leilão seguem o rito legal independentemente da ocupação. A discussão sobre posse e desocupação corre depois, em via própria.
Depois de consolidada a propriedade e realizado o leilão, a reversão é excepcional e depende de vício demonstrado no procedimento. Por isso o prazo anterior à consolidação é decisivo.
É pagar o débito em atraso, com encargos, dentro do prazo legal contado da notificação, restabelecendo o contrato. É a via mais direta de interromper o procedimento de consolidação.
A Lei 8.009/90 traz exceções expressas, e o imóvel oferecido em garantia real pela entidade familiar está entre as hipóteses em que a proteção não se aplica na forma da lei.
Na alienação fiduciária, o procedimento corre no cartório de registro de imóveis da situação do bem e o leilão é promovido pelo credor, sem processo judicial prévio. Na hipoteca, a expropriação acontece dentro da execução, no juízo em que ela tramita.
A notificação define o prazo e o valor exigido, e por isso se confere imediatamente a data do recebimento, a forma da intimação e o demonstrativo do débito. Deixar o prazo correr enquanto se negocia informalmente é o erro que mais fecha portas.
Negociar depois do leilão designado continua possível, mas a posição do devedor é pior. A discussão passa a ser sobre os requisitos e as formalidades do procedimento, e não mais sobre cronograma de pagamento.
OAB/MS 20.674, sócio nominal e administrador judicial certificado pela TMA Brasil.
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Constrição judicial e bem de família.
A janela antes da excussão.
Descreva a situação e a equipe da CFH faz a primeira leitura do cenário, do passivo e das garantias envolvidas.