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Holding patrimonial e rural em 2026: planejamento sucessório em tempos de reforma tributária

A LC 227/2026 altera o custo tributário de estruturas até então consideradas vantajosas, e 2026 é a janela para revisar.

Família reunida em reunião de planejamento patrimonial
Foto: Kampus Production / Pexels

A LC 227/2026 altera alíquotas do ITCMD, a base de cálculo das quotas e a regra de somatório de doações, o que muda o custo de estruturas patrimoniais já constituídas. Quem tem holding não precisa desfazer nada de imediato, mas precisa recalcular: a equação que fazia sentido sob a regra anterior pode não fazer mais sob a nova.

A constituição de holdings patrimoniais e rurais segue sendo uma das ferramentas mais utilizadas para organizar a sucessão familiar e a governança de patrimônio e negócios no Brasil. Mas 2026 é um ano decisivo para quem já possui uma holding ou avalia constituir uma: a reforma tributária, consolidada pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e agora regulamentada em pontos centrais pela Lei Complementar nº 227/2026, muda de forma significativa o cálculo de custos de estruturas até então consideradas vantajosas, e isso exige atenção redobrada de quem já tem, ou pretende ter, patrimônio organizado sob esse formato.

O que uma holding efetivamente resolve, e o que não resolve

Antes de falar das mudanças normativas, vale reafirmar um ponto que discutimos com frequência em nossos atendimentos: a holding não é uma fórmula mágica nem uma solução automática de economia fiscal. Sua função central é organizacional. No aspecto sucessório, ela permite planejar a sucessão ainda em vida, definindo previamente regras claras entre os herdeiros sobre a divisão, a gestão e a eventual alienação de bens, o que não elimina a incidência do ITCMD, mas pode tornar o processo sucessório mais previsível, mais rápido e menos sujeito a litígio do que um inventário tradicional. No aspecto de governança, a holding transforma uma administração muitas vezes informal do patrimônio e dos negócios familiares em uma estrutura com regras estabelecidas sobre distribuição de lucros, critérios de gestão e condições de entrada e saída de sócios.

É importante destacar, no entanto, que uma estrutura mal desenhada pode ter o efeito oposto ao pretendido: cláusulas inadequadas de acordo de sócios, ausência de mecanismos claros de resolução de conflitos e falta de planejamento sobre a governança futura têm gerado disputas societárias tão graves quanto um inventário litigioso, motivo pelo qual a constituição de uma holding deve sempre partir de um diagnóstico detalhado da situação patrimonial, familiar e tributária de cada cliente, e não de um modelo padronizado.

O que muda com a LC 227/2026

A Lei Complementar nº 227/2026 traz três alterações que impactam diretamente o custo tributário das holdings, especialmente as patrimoniais e rurais:

  • Alíquotas progressivas obrigatórias de ITCMD. Os estados passam a ser obrigados a adotar alíquotas progressivas por faixas de valor, com teto de 8%, substituindo os modelos anteriores de alíquota fixa em diversas unidades da federação. Isso significa que transferências patrimoniais de maior valor, justamente o perfil típico das operações via holding, tendem a sofrer tributação mais elevada do que no regime anterior.
  • Novo método de avaliação para fins de ITCMD. A norma determina que as participações societárias em holdings sejam avaliadas pelo patrimônio líquido ajustado a valor de mercado, acrescido de ágio (goodwill), e não mais pelo valor contábil histórico. Na prática, essa mudança amplia substancialmente a base de cálculo do imposto incidente sobre a transmissão das quotas ou ações da holding, reduzindo uma das vantagens comparativas que tornavam a estrutura fiscalmente atrativa.
  • Regra de somatório de doações. Doações sucessivas de um mesmo doador a um mesmo donatário, dentro de determinado período, passam a ser somadas para fins de cálculo da alíquota aplicável, encerrando a estratégia de fracionar doações em valores menores para reduzir a carga tributária incidente.

A combinação entre a nova base de cálculo e a progressividade das alíquotas eleva de forma relevante o custo tributário de estruturas que antes representavam economia expressiva. Ainda assim, a holding continua a ter valor relevante para governança e proteção patrimonial, o que muda é a necessidade de recalcular, caso a caso, se a equação tributária ainda compensa, e como estruturar a operação da forma mais eficiente diante do novo cenário.

Atenção especial à holding rural

Para o produtor rural, há uma camada adicional de complexidade. A holding rural, que explora ou recebe rendimentos de atividades agropecuárias, seja por exploração direta, seja por arrendamento de imóveis rurais, também será impactada pela nova tributação sobre o consumo (IBS/CBS), instituída pela EC 132/2023. A forma de exploração da atividade rural dentro da holding pode alterar significativamente o tratamento tributário aplicável, o que torna ainda mais relevante revisar a estrutura societária e operacional das holdings rurais já constituídas, e planejar com cuidado redobrado a constituição de novas estruturas.

Uma janela com prazo: quando a reestruturação ainda cabe em 2026

Um ponto que temos alertado nossos clientes é que 2026 representa uma janela estratégica: como a implementação plena das novas regras pelos estados está prevista para 2027, ainda há tempo hábil para reavaliar e, quando fizer sentido, reestruturar holdings existentes ou planejar a constituição de novas estruturas sob as condições atuais, antes da vigência integral do novo regime.

Como podemos ajudar

Nosso escritório atua na constituição, revisão e reestruturação de holdings patrimoniais e rurais, sempre a partir de um diagnóstico individualizado que considera o patrimônio, a composição familiar, os objetivos sucessórios e o regime tributário aplicável a cada cliente, incluindo, agora, os impactos concretos da LC 227/2026 e da reforma tributária sobre o consumo. Se você já possui uma holding ou está avaliando constituir uma, este é o momento adequado para uma análise técnica que evite surpresas tributárias nos próximos anos.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta a um advogado para análise do caso concreto.

Perguntas frequentes

A holding deixou de valer a pena com a LC 227/2026?

Não de forma automática. A holding continua a ter valor relevante para governança e proteção patrimonial. O que muda é a necessidade de recalcular, caso a caso, se a equação tributária ainda compensa.

O que muda na avaliação das quotas para o ITCMD?

As participações societárias passam a ser avaliadas pelo patrimônio líquido ajustado a valor de mercado, acrescido de ágio, e não mais pelo valor contábil histórico. Isso amplia a base de cálculo do imposto.

Ainda dá tempo de reestruturar em 2026?

A implementação plena das novas regras pelos estados está prevista para 2027, o que abre uma janela em 2026 para reavaliar estruturas existentes ou planejar novas sob as condições atuais.

Quem já tem holding precisa desfazer a estrutura?

Não como regra. O que muda é a necessidade de recalcular, caso a caso, se a equação continua favorável, e de revisar cláusulas de doação e usufruto à luz das novas regras.

Quem fixa a alíquota do ITCMD depois da LC 227/2026?

Os estados, que passam a ser obrigados a adotar alíquotas progressivas por faixas de valor, com teto de oito por cento, substituindo os modelos anteriores de alíquota fixa em diversas unidades da federação. Transferências patrimoniais de maior valor, perfil típico das operações via holding, tendem a sofrer tributação mais elevada do que no regime anterior.

O que acontece com uma estrutura mal desenhada?

Cláusulas inadequadas de acordo de sócios, ausência de mecanismos claros de resolução de conflitos e falta de planejamento sobre a governança futura têm gerado disputas societárias tão graves quanto um inventário litigioso. É por isso que a constituição parte de um diagnóstico da situação patrimonial, familiar e tributária, e não de um modelo padronizado.

O que muda para a holding rural?

A holding rural, que explora ou recebe rendimentos de atividades agropecuárias, seja por exploração direta, seja por arrendamento de imóveis rurais, também será impactada pela nova tributação sobre o consumo instituída pela Emenda Constitucional 132/2023. A forma de exploração da atividade rural dentro da holding pode alterar o tratamento tributário aplicável, o que torna relevante revisar a estrutura societária e operacional das estruturas já constituídas.

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